É como se um braço decepado permanecesse praticamente intacto, com o metabolismo de suas células e tecidos ainda funcionando, anos depois de ter sido arrancado do corpo. Esse cenário, que mais parece algum tipo de magia macabra, foi observado em detalhes por cientistas que estudaram uma espécie de pepino-do-mar.

A equipe de pesquisadores, liderada por Sara Jobson, da Universidade Memorial (província de Terra Nova e Labrador, no Canadá), detectou o fenômeno ao estudar os chamados pés ambulacrários, pequenas estruturas tubulares usadas na locomoção do pepino-do-mar Psolus fabricii, nativo de águas frias dos oceanos Atlântico e Ártico.

O que eles descobriram é que, quando são cortados, os pés ambulacrários permanecem biologicamente íntegros por pelo menos três anos, sem nenhuma necessidade especial, como higienização ou o cultivo num meio de cultura, por exemplo. Basta que continuem mergulhados em água do mar.

Em outras palavras, os tecidos que formam as estruturas parecem ser funcionalmente "imortais". E o mesmo se verificou quando os pesquisadores amputaram outras partes da anatomia desses invertebrados.

A descoberta, publicada no fim de maio na revista especializada Science Advances, pode ter implicações práticas importantes para a pesquisa biomédica, de acordo com Jobson e seus colegas.