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Talvez seja um fenómeno pouco notado e nada notável, excepto para uma pequena minoria de sobreviventes que habita em zonas rurais, no Sul, e se lembra dos pastos, no final da Primavera, em zonas ainda húmidas: já não há caracóis, estes moluscos ranhosos desapareceram. Só já aparecem cozinhados, em tascas, cervejarias e restaurantes, provenientes de viveiros. Nessa condição, eles ilustram perfeitamente a “economia do enriquecimento”. Com este conceito, os sociólogos Luc Boltanski e Arnaud Esquerre designaram as operações de enriquecimento (no sentido em que se fala de um “metal enriquecido” — o urânio, por exemplo) que criam um valor especulativo em tudo o que é apropriável como mercadoria. A economia do enriquecimento governa toda a lógica do turismo, e tanto se verifica na patrimonialização dos centros históricos das cidades, como na elevação das sardinhas de conserva a produto “gourmet”, de luxo.Os leitores são a força e a vida do jornalO contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue - nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para assinaturas.online@publico.pt.










