Ministro da Fazenda critica ainda ausência de medidas de recomposição de pessoal e de orçamento em gestões anteriores, citando os governos Temer e Bolsonaro O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o fortalecimento institucional do Banco Central, assim como de outras agências reguladoras, mas afirmou que isso não deve ocorrer sob o pretexto de criar distorções ou “uma espécie de novo Poder da República” que não se submete à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). “A gente não pode, a pretexto de fortalecer institucionalmente o Banco Central, criar uma série de distorções, seja na contabilidade pública, seja do ponto de vista da auditabilidade das regras do Banco Central, seja do ponto de vista de discussão orçamentária e de pessoal”, disse em reunião na Câmara dos Deputados. “É preciso fortalecer sim a instituição do Banco Central, como é preciso fortalecer a CVM [Comissão de Valores Mobiliários], a Susep [Superintendência de Seguros Privados] e as outras agências, sem que a gente tenha uma espécie de novo poder da República, que pode mandar projeto de lei, que não se submete a auditoria da CGU. Isso eu vejo com preocupação até, inclusive, para a proteção do Banco Central”, completou. Na última quarta-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia financeira e orçamentária ao BC. O texto segue agora para análise do plenário da Casa. A PEC preocupa o ministro da Fazenda devido ao possível aumento de gastos do Tesouro Nacional. Durigan também criticou a ausência de medidas de recomposição de pessoal e de orçamento em gestões anteriores, citando os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Não teve contratação de servidor público nos governos Temer e Bolsonaro. Não se contratou ninguém, não aumentou salário (...) Não teve orçamento a mais”, afirmou. Dario Durigan — Foto: Lula Marques/Agência Brasil