O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que hoje não alteraria a meta de inflação de 3%, mas defendeu aprimoramentos na relação entre a área econômica e o Banco Central. Segundo ele, há espaço para maior coordenação em diversas frentes, seja entre as políticas fiscal e monetária, seja em outras áreas de atuação conjunta. “Eu, hoje, não mexeria na meta de inflação, mas acho que tem muito aprimoramento nessa relação entre área econômica e Banco Central”, disse Durigan ao economista Felipe Salto, em podcast da Warren Investimentos. Como exemplo de aprimoramento, ele citou as discussões sobre o reforço contra atuação das bets ilegais. “É importante ter o Banco Central próximo”, afirmou. Segundo o ministro, é necessário haver convergência de atuação, uma vez que os recursos movimentados por bets ilegais transitam pelo sistema financeiro. O ministro acrescentou que acredita que o regime de meta contínua para a inflação ainda não foi bem digerido pela sociedade, principalmente por parte de profissionais que acompanham e trabalham diretamente com o sistema de metas de inflação. “Eu acho que a gente precisa ter alguns ganhos, mas pode ser impulsionado pelo fiscal inclusive. Aqui o que eu não quero passar é que ‘está empurrando o problema para o Banco Central’. Não é isso. Eu gosto de assumir os problemas e fazer esse debate de maneira transparente”, disse. O ministro repetiu seu entendimento de que a política fiscal influencia as decisões de política monetária e disse que continuará trabalhando para garantir melhorias nessa direção, embora tenha ressaltado que esse não é o único fator que explica a condução dos juros. O ministro também afirmou ver com “bons olhos” eventuais aprimoramentos institucionais no Boletim Focus, desde que as mudanças tenham como objetivo ampliar a transparência e aperfeiçoar o instrumento. Durigan foi questionado sobre o voto em separado do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas na semana passada, durante a sessão que analisou as contas do presidente Lula em 2025. O ministro do TCU fez críticas à governança do Boletim Focus, argumentando que um dos principais instrumentos de formação de expectativas do mercado opera sem base normativa específica, com baixa transparência sobre sua metodologia, por exemplo. Para Dantas, o tema merece atenção devido à influência das expectativas econômicas sobre os juros e o custo da dívida pública. Por outro lado, ele elogiou a Pesquisa Firmus, iniciativa do Banco Central para coletar as expectativas das empresas não financeiras sobre a economia. “Se há hoje uma constatação de que o Focus pode melhorar no sentido de dar mais dados, mais transparência, incluir eventualmente outros índices, acho importante que a gente avance para isso. Isso para todos os fins e sem correr o risco de que queremos interferir”, avaliou Durigan durante o podcast. O ministro da Fazenda comentou ainda que há muitos especialistas que estudam a própria composição da inflação e apontam a existência de uma defasagem. “Nosso modelo dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente. E coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming, serviço de nuvem, às vezes pesa muito mais que algo que estava na metodologia décadas atrás”, emendou. Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Wenderson Araujo/Valor
Durigan diz que não alteraria meta de inflação, mas defende aprimoramento na relação entre área econômica e BC
Ministro da Fazenda diz que há espaço para maior coordenação em diversas frentes, seja entre as políticas fiscal e monetária, seja em outras áreas de atuação conjunta













