Depois de fazermos um passeio relativamente aprofundado pela história dos grandes monoteísmos do planeta, voltamos aos temas religiosos por aqui destacando uma tradição muito diferente do judaísmo, cristianismo e islamismo, mas igualmente importante para a fé dos brasileiros. E o nosso mote será um livro precioso de Nei Lopes –sem parentesco com este escriba, apresso-me a acrescentar. Falo do "Dicionário de Africanismos nas Américas" (editora Civilização Brasileira), que acaba de ser lançado.
Se o leitor ainda não conhece a trajetória de erudito autodidata do autor, a entrevista disponível neste link ajuda a situar bem as contribuições de Lopes. Como pesquisador independente, ele tem produzido uma fieira de dicionários e outras obras de referência sobre a história africana e suas conexões com o outro lado do Atlântico –étnicas, linguísticas e, claro, religiosas.
E, de fato, embora o dicionário seja simplesmente de "africanismos", ou seja, de vocábulos de uso corrente no continente americano que foram trazidos para cá ou influenciados pela diáspora de escravizados e seus descendentes, o que salta aos olhos logo no começo é como muitas dessas palavras têm uma conexão muito próxima com a pluralidade de sistemas de crença que existia na África. Uma pluralidade que se adaptou, sob o impacto dos processos de colonização e cristianização, mas continua evoluindo por aqui.








