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“Não são apenas os vivos que nos atormentam, os mortos também. Le mort saisit le vif!”– Karl Marx, Prólogo à primeira edição d´O capital (1867)

O título acima foi inspirado em Manoel Bomfim (A América Latina: males de origem, 1903). O grande intérprete da formação brasileira debruçou-se sobre nosso continente e revelou a comunhão de vicissitudes, a aproximação histórica da qual as chamadas elites, europeizadas e depois americanizadas, tanto insistiram em ignorar, como se fosse possível expulsar da história a irmandade da depredação ibérica com os males da empresa lusitana.

Pensador original, Bomfim foi, certamente, o primeiro dos intérpretes a enfrentar a necessidade de apartar os estudos sobre nossa formação da ideologia colonial dominante entre beletristas e historiadores ou, na grafia de Franklin de Oliveira, “garçons do poder”, os quais, num simplismo primário, associavam nossos infortúnios à presença de fatores ditos negativos: seja o clima, seja a raça, seja a religião católica, posta em xeque em face da colonização protestante apresentada como fonte do desenvolvimento dos EUA, fruto de uma cultura protestante disciplinada e voltada ao trabalho produtivo, enquanto o Brasil herdara a cultura católica ibérica, esta mais hierárquica e menos propensa à formação de uma economia capitalista moderna.