Cálculos onsideram não só os impactos diretos dos nove projetos elencados pelo governo como arriscados para as contas públicas, mas também efeitos secundários sobre a própria trajetória da economia e o impacto dos juros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 11:54 Propostas do Congresso Podem Aumentar Dívida Pública em R$ 1,64 Tri A "pauta-bomba" do Congresso pode elevar a dívida pública brasileira em R$ 1,64 trilhão até 2035, atingindo mais de 100% do PIB em 2032, segundo a corretora Warren Rena. As nove medidas em tramitação, que incluem renúncias fiscais e aumento de gastos, impactam diretamente as contas públicas e a economia. Sem medidas compensatórias, essas propostas violam a Lei de Responsabilidade Fiscal, podendo levar o governo a acionar o STF. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A chamada "pauta-bomba" do Congresso (medidas em tramitação no Legislativo com alto impacto fiscal) poderá elevar a dívida pública em R$ 1,64 trilhão, cerca de sete pontos percentuais de PIB até 2035, segundo cálculos feitos pela corretora Warren Rena. A estimativa do time liderado pelo economista-chefe e ex-secretário de Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, considera não só os impactos diretos dos nove projetos elencados pelo governo como arriscados para as contas públicas em termos de despesas ou renúncias de receitas, mas também efeitos secundários sobre a trajetória da economia e o impacto dos juros. Assim, no "cenário bomba”, a dívida pública, prevista para encerrar este ano em 83,9% do Produto Interno Bruto (PIB), romperia a marca de 100% da soma das riquezas produzidas no país já em 2032 e fecharia o horizonte de projeções em 105,9% do PIB. Sem a "pauta bomba", nas contas da Warren Rena, a dívida encostaria, mas não chega a romper a marca de 100% do PIB no horizonte de projeções. Isoladamente, o conjunto de propostas em tramitação no Congresso Nacional tem impacto fiscal anual é estimado em R$ 111 bilhões ou 0,76% do PIB. Os cálculos simulam os impactos a partir de 2027. “Outra suposição é a de que a dívida extra a cada ano é integralmente corrigida pela Selic. Assim, em 2027, o impacto sobre a dívida corresponde a R$ 111 bilhões. Em 2028, o impacto soma dois componentes. O primeiro componente são os R$ 111 bilhões, mas corrigidos pela Selic de 2028, pois financiados com dívida corrigida pela Selic”, explica o texto, restrito a clientes da corretora e obtido pelo GLOBO. O material destaca que, como em um cenário desses os juros poderiam ficar mais altos do que o esperado em um quadro normal, as contas podem estar até subestimadas. Entre os projetos estão aqueles com impacto de renúncia de receitas, como a ampliação de benefícios às igrejas, e aumento de gastos, tanto primários, como na aposentadoria favorecida para agentes comunitários de saúde, como de natureza financeira, caso da renegociação das dívidas rurais. “Algumas das propostas também afetam as finanças de estados e municípios, como a ampliação da imunidade dos templos religiosos e o aumento do piso salarial de médicos e dentistas”, destaca o texto. “Outra proposta de impacto fiscal expressivo na lista da pauta-bomba é a que reajusta os pisos de enquadramento no regime especial do MEI e no Simples Nacional (PLP nº 108, de 2021). A proposta foi aprovada no Senado Federal apenas com a elevação da receita no MEI, mas a tramitação em comissão especial da Câmara está ocorrendo com o apensamento de outros projetos que promovem a correção da receita também do Simples Nacional, nesse caso com impacto anual estimado em R$ 50 bilhões”. Os economistas destacam que todas as propostas redundam no aumento da dívida pública, pois não são acompanhadas de medidas compensatórias pelo lado da receita ou do gasto, o que infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse ponto, aliás, é considerado uma espécie de trunfo para o governo, que pode acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), caso não consiga segurar a tramitação das proposições no Congresso. Isso porque, dada a falta de estimativas de impacto pelos congressistas, a Corte já tem jurisprudência para derrubar medidas dessa natureza.