Prossegue o diálogo com o Congresso Nacional a respeito das pautas-bomba, mas o governo irá questionar as medidas no Supremo Tribunal Federal (STF) se for necessário, disse nesta sexta-feira (12) o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da rádio Nacional. “Aqui ainda tem uma conversa, um entendimento a ser travado com os presidentes das Casas do Congresso Nacional”, disse o ministro, acrescentando que esteve com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), “que tem ajudado muito na condução com responsabilidade desses temas.” Nas conversas, explicou Durigan, são apresentados números e argumentos sobre os impactos das medidas aprovadas. “Não estamos fazendo nenhuma manobra, botando fricção onde não precisa”, contou. “Eu estou indo lá e explicando para os congressistas todos quais são os impactos e o que está acontecendo com isso.” Pelos cálculos do governo, apenas nove medidas em análise no Congresso Nacional, nenhuma delas aprovada em definitivo, geram despesas adicionais de R$ 111 bilhões por ano. “Se você somar todo o investimento que o governo federal faz, a gente demora mais de dois anos para conseguir investir R $ 111 bilhões”, comparou. “Então não dá para que a gente contrate, sem fonte de recurso, sem compatibilidade com as leis fiscais, um volume desse de despesa ou renúncia de receita, nesse momento.” A grande preocupação no momento, disse Durigan, é com o agronegócio. “Eu temo que por ânsia de entregar uma bandeira de certos setores que estão comprometidos aí com eleições de alguns parlamentares, a gente prejudique o próprio agronegócio”, afirmou. Ele explicou que os juros para o crédito ao agronegócio são tabelados, mas os bancos não são obrigados a oferecer os recursos. “O banco pode dizer o seguinte: ‘ok, se eu tenho que oferecer nesse limite aqui, eu não vou dar’”, disse. “Então, o que pode acontecer é restrição de crédito para o agronegócio, que é o que eu estou querendo evitar.” Em relação ao agro, a intenção é socorrer o produtor endividado. “Mas aí tem que ser o agricultor endividado que tenha passado por problemas problema climático, alguma coisa”, explicou. “O que não dá é querer reorganizar e limitar todas as operações de crédito do agronegócio no país à custa do Tesouro Nacional, ou seja, à custa de toda a sociedade.” Dario afirmou que sua interlocução com o Congresso é aberta e que busca levar as melhores informações da equipe e apontar os riscos. No momento, disse, o mundo vive grande instabilidade. “O preço do petróleo subiu, as bolsas estão comprometidas, há uma incerteza no mundo que está gerando preocupação dos bancos centrais, com inflação”, listou. “E nós no Brasil temos que focar a energia no que importa.” Ele defendeu a aprovação de medidas como o fim da escala 6x1, o projeto que cria a política para minerais críticos, a PEC da Segurança. “Quando a gente começa a apresentar esses outros projetos, que criam pisos salariais para 30, 40 classes profissionais, que começam a querer atender bandeiras setoriais em prejuízo da sociedade como um todo, a gente perde força enquanto país e a nossa economia pode sair enfraquecida”, ponderou. “Depois, a gente tem o real desapreciado, ou seja, estamos comprando o dólar mais caro, e a nossa bolsa começa a cair, as pessoas vêm reclamar.” Acrescentou ter visto senadores reclamando da taxa de juros e de problemas econômicos. “Mas foram os próprios senadores que aprovaram a medida da renegociação do agronegócio que vai ter impacto nisso.” O ministro avaliou que o clima para votação do fim da escala 6x1 é favorável, por causa da votação expressiva que a proposta recebeu na Câmara dos Deputados. Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Durigan diz que segue diálogo com Congresso sobre pautas-bomba, mas irá ao STF se necessário
Governo calcula que apenas nove medidas em análise no Congresso, nenhuma aprovada em definitivo, geram despesas adicionais de R$ 111 bilhões por ano












