Uma proposta de acordo para encerrar as hostilidades entre os EUA e o Irã trouxe um alívio aos operadores de ações e títulos na segunda-feira. Também deixou os mercados de previsão com uma nova dor de cabeça. A Polymarket, uma das maiores bolsas de apostas em eventos, registrou mais de US$ 345 milhões em negociações sobre a questão de se e quando os EUA e o Irã assinariam um acordo de paz. Ambos os países anunciaram que haviam chegado a um acordo no fim de semana, e alguns operadores pensaram que haviam ganhado. Mas as apostas estão em suspenso porque não ficou claro se o anúncio foi suficiente para atender às condições estipuladas nos contratos da Polymarket. As probabilidades de um acordo de paz com o Irã disparam no Polymarket Uma proposta feita na noite de domingo para resolver o contrato como "sim" — ou seja, houve um acordo de paz — foi rapidamente contestada pelos detentores de UMA, a criptomoeda usada para lidar com as contestações de mercado no Polymarket. Alguns dos que contestam o resultado dizem que os termos do contrato não foram cumpridos, em parte porque nenhum documento foi assinado e em parte porque não está claro se o acordo entre os dois lados representa um fim "permanente" aos combates. A disputa é o mais recente — e um dos maiores — conflitos a agitar o Polymarket, ressaltando a dificuldade contínua que os mercados de previsão têm em resolver conflitos de "sim ou não" ligados a eventos complexos do mundo real. A dependência do Polymarket em relação à UMA para lidar com suas apostas contestadas tem sido impopular entre alguns traders, porque os detentores de UMA podem influenciar decisões que valem bilhões de dólares sem revelar sua identidade ou possíveis conflitos de interesse. O processo envolve os detentores de tokens debatendo o assunto em uma sala de bate-papo online, antes de votarem no resultado. Uma análise recente da Bloomberg mostrou que apenas nove carteiras controlam mais da metade dos tokens usados ​​para essas votações. Os termos dos contratos do Polymarket vinculados a um acordo de paz com o Irã indicam que qualquer acordo deve declarar explicitamente que as hostilidades militares entre os EUA e o Irã "terminaram ou cessarão permanentemente", o que significa que cessar-fogos temporários não seriam válidos. Usuários se reuniram na segunda-feira na sala de bate-papo online do Discord da UMA para discutir se os anúncios do fim de semana eram suficientes para atender a esses termos. O debate e a votação subsequente sobre o assunto devem ser concluídos ainda esta semana. Os dois países anunciaram na segunda-feira que tinham um acordo de paz provisório para reabrir o Estreito de Ormuz por 60 dias. Delegações de ambos os lados devem acertar os detalhes no Catar esta semana, com a expectativa de que um memorando de entendimento seja assinado na Suíça na sexta-feira. Diversos usuários do Polymarket apontaram a natureza temporária da reabertura do Estreito como um sinal de que o acordo não era permanente. Por outro lado, outros afirmaram que a descrição do acordo feita pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, como uma declaração de "cessação imediata e permanente das operações militares", foi evidência suficiente para o mercado chegar a essa conclusão. Houve um debate específico sobre um contrato vinculado à possibilidade de um acordo de paz ser alcançado até segunda-feira, que atraiu um volume de negociação de US$ 66 milhões até o momento. Os contratos permanecem abertos para negociação durante o processo de disputa da UMA, permitindo que os investidores apostem efetivamente no resultado do debate, em vez do evento original que atraiu as apostas. A Polymarket não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a disputa.