PUBLICIDADE 'A única coisa que passou pela minha cabeça era que não tinha onde segurar', relata Esther Gama, que pulou na mesma modalidade de Maria Eduarda. A morte da jovem reacendeu o debate sobre os protocolos de segurança adotados em esportes de aventura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rope jump: Esther Gama também optou pular de 'aviãozinho' — Foto: Arquivo pessoal Esther Gama RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 14:30 Experiência de Rope Jump Reacende Debate sobre Segurança em Esportes Radicais no Brasil A jornalista Esther Gama compartilha sua experiência de rope jump, relatando um breve "apagão" durante o salto de "aviãozinho" de uma ponte em Barra Mansa, RJ. O incidente fatal envolvendo Maria Eduarda, que foi lançada sem segurança de uma ponte em SP, reacendeu o debate sobre protocolos de segurança em esportes radicais. O caso destaca a necessidade de atenção redobrada por parte das equipes responsáveis por tais atividades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Eu sempre tive o sonho de praticar esportes radicais. No começo deste ano, comecei a pesquisar sobre o rope jump após ver vídeos nas redes sociais. Encontrei uma empresa que realizava o salto em Barra Mansa, no sul do Rio de Janeiro. Fechei com eles o pulo e o transporte de ida e volta, mas fui até o local com uma empresa parceira. Em 11 de abril deste ano, pulei de rope jump de uma ponte de 47 metros de altura e foi lançada de “aviãozinho”: quando três pessoas da equipe te levantam e arremessam da ponte, mesma modalidade em que Maria Eduarda morreu neste sábado (13) ao ser jogada sem as cordas. Saí de casa às 3h, passamos a madrugada na estrada. O carro da equipe que eu fui parou na entrada de uma trilha, e seguimos a pé até um trecho que dava acesso à ponte abandonada. Ao chegar no ponto onde seriam realizados os saltos, haviam barracas das empresas do grupo com os equipamentos que colocaríamos. Eu peguei a pulseira que determinava a ordem do salto, fui a 10° pessoa a saltar. No dia, mais de 240 também realizaram o esporte, de pelo menos três empresas. Na época, paguei R$280,00 com o transporte de ida e volta inclusos. E, por fora, contratei o vídeo de drone. No fechamento do pacote, também estava incluído um seguro aventura, que contava com o valor de R$50 mil em casos de morte acidental e invalidez total ou parcial, para o grupo II (bungee jump, rope jump, estilingue humano, pêndulo, asa delta…). Além de R$1 mil para despesas médicas, hospitalares e medicamentos. Nos reunimos em uma roda, alguns instrutores passaram as informações e oramos, juntos, o Pai Nosso. Em seguida, fomos conduzidos às barracas para colocação dos equipamentos de segurança: uma cinta inferior e um colete superior, além do capacete. A instrutora que me equipou perguntou, a todo o momento, se estava bom e seguro. Ficamos aguardando nossos números serem chamados enquanto víamos as pessoas da frente se jogando. Havia dois pontos na ponte: duas pessoas eram jogadas ao mesmo tempo, primeiro uma ia, depois outra, e assim sucessivamente. Quando chegou a minha vez, os instrutores amarraram duas cordas em mim, uma no colete superior e outra no inferior. Na hora do meu salto, pude escolher entre as três modalidades: correr até a plataforma de ferro e pular sozinha (como a maioria faz), ser empurrada pela equipe ou pedir para ser lançada de aviãozinho, assim como a Maria Eduarda. Eu fiquei com medo de pular e escolhi a terceira opção. Três homens da equipe me levantaram e começaram a contagem regressiva. Na hora que me jogaram, a única coisa que passou pela minha cabeça era que não tinha onde me segurar. Depois disso, eu não lembro de nada, não me recordo da queda. Eu tive um breve apagão e até acharam que eu tinha desmaiado. Minha memória só retorna quando já estava no pêndulo, lá embaixo. No salto, Esther teve um apagão — Foto: Arquivo pessoal Esther Gama Na parte de baixo da ponte, alguns homens aguardavam os saltadores. Quando o pêndulo está quase parando, a equipe que está em cima dá corda para descermos um pouco mais, até alguém, que está na parte de baixo, conseguir nos alcançar. Um dos homens segurou o meu pé, me puxou e desprendeu a corda. Voltamos por uma trilha até a ponte para aguardar todos saltarem para irmos embora. Neste sábado, com a notícia da Maria Eduarda, recebi várias mensagens de familiares e amigos preocupados com a situação e alertando sobre o risco que corri. Esportes de aventura exigem atenção redobrada da equipe responsável. Jornalista relata salto feito dois meses antes de tragédia Esther Gama é estagiária da redação integrada e atualmente está na editoria de Política e Brasil do jornal O Globo.
Vivi para contar: do breve 'apagão' no salto ao alerta de familiares, jornalista relata salto de 'aviãozinho' em rope jump
'A única coisa que passou pela minha cabeça era que não tinha onde segurar', relata Esther Gama, que pulou na mesma modalidade de Maria Eduarda. A morte da jovem reacendeu o debate sobre os protocolos de segurança adotados em esportes de aventura
Jornalista realiza rope jump de 47m com apagão durante modalidade aviãozinho (lançada por equipe) em ponte de Barra Mansa. Caso reacende alerta sobre protocolos segurança em esportes radicais após morte similar por falha crítica de equipamento.















