A reforma tributária deve provocar uma das maiores adaptações operacionais já enfrentadas pelas empresas brasileiras nas últimas décadas. O debate público ainda está concentrado nas mudanças de alíquotas e obrigações fiscais, mas especialistas alertam que os impactos da transição também vão atingir tecnologia, fluxo de caixa, rastreabilidade de dados, integração de sistemas e gestão de pessoas.

O período de convivência entre as regras antigas e as novas é apontado como o momento de maior risco para companhias que ainda mantêm estruturas fragmentadas e baixa integração entre áreas.

Operações internacionais e integração de sistemas

Para empresas que atuam com serviços digitais, importação e operações internacionais, a reforma deve ampliar os desafios de integração entre plataformas fiscais, financeiras e operacionais. A emissão de documentos, o cálculo de tributos e a conciliação de dados entre diferentes jurisdições vão exigir maior precisão dos sistemas.

Lisandro Vieira, CEO da WTM, empresa especializada em soluções para operações internacionais, avalia que muitas companhias ainda enxergam a reforma apenas pela ótica jurídica. “Empresas que possuem operações internacionais precisarão garantir uma integração maior entre dados fiscais, financeiros e comerciais. O desafio não será apenas calcular tributos, mas assegurar rastreabilidade, compliance e consistência operacional em diferentes sistemas e jurisdições”, afirma.