Adaptação de sistemas, revisão de processos e preparação para o Split Payment aceleram a transformação digital necessária para a transição ao novo modelo tributário Divulgação — Foto: Divulgação Depois de anos em discussão e da aprovação da regulamentação da Reforma Tributária, o segundo semestre de 2026 marca uma nova etapa para as empresas brasileiras: sair da teoria e começar a preparar a operação para um modelo que altera a forma de recolher tributos e, principalmente, a gestão financeira das empresas, com impacto nos processos internos e nos sistemas de informação. Embora a cobrança efetiva dos novos tributos aconteça de forma gradual, o segundo semestre de 2026 inaugura uma etapa operacional decisiva da Reforma Tributária. A partir de 1º de agosto, documentos fiscais eletrônicos que não contenham o correto preenchimento do IBS e da CBS passam a ser rejeitados pelos sistemas autorizadores, encerrando o período de tolerância adotado no início do ano. Além disso, empresas optantes pelo Simples Nacional e MEIs terão até setembro para decidir se permanecem recolhendo os novos tributos dentro do regime simplificado ou se optarão pelo recolhimento em separado, enquanto Estados começam a adequar as regras do ITCMD às exigências da Emenda Constitucional 132/2023. Embora em 2026 esteja vigente apenas uma alíquota-teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), as empresas que emitirem corretamente os documentos ficam dispensadas do recolhimento efetivo nesse período. Esse calendário faz com que os próximos meses passem a exigir mudanças concretas nos processos internos e nos sistemas utilizados pelas empresas. Entre essas mudanças está a preparação para o Split Payment, mecanismo que prevê a separação automática do valor dos tributos no momento da transação comercial, direcionando a parcela correspondente diretamente ao Fisco. Na prática, o imposto deixa de permanecer temporariamente no caixa da empresa, reduzindo espaço para inadimplência, sonegação e operações informais, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de integração entre sistemas fiscais, financeiros e meios de pagamento. A obrigatoriedade do correto preenchimento das notas fiscais e a convivência entre os sistemas tributários atual e futuro representam um dos maiores desafios tecnológicos da reforma. Empresas precisarão garantir que ERPs, sistemas de faturamento, emissão de notas fiscais e plataformas financeiras conversem entre si para calcular corretamente os novos tributos e, assim, conseguir controlar créditos tributários e acompanhar uma fase de convivência entre o modelo atual e o novo sistema. Segundo Arthur Chaves, Diretor de Sucesso do Cliente da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, isso passa a ser um diferencial competitivo para a Areco, pois roda tudo sobre um único sistema. Essa preparação não deve ficar restrita às áreas tributária e contábil. As mudanças tendem a impactar diretamente departamentos financeiros, compras, vendas, tecnologia da informação, controladoria e gestão, tornando a integração de dados um fator decisivo para reduzir riscos operacionais durante a transição. "O maior erro é acreditar que a Reforma Tributária será apenas uma mudança de cálculo de impostos. Na prática, ela altera a forma como as empresas registram operações e isso interfere diretamente na conciliação de informações e administração de seus processos internos. Quanto mais cedo essa adaptação começar, menor será o risco de retrabalho e de impactos na operação", afirma Chaves. Além do desafio tecnológico, o diretor da Areco aponta que o novo modelo pode contribuir para reduzir a informalidade ao diminuir a possibilidade de retenção indevida dos tributos ao longo da cadeia econômica. Como parte do imposto será automaticamente direcionada ao governo no momento do pagamento, operações sem documentação fiscal ou fora dos sistemas digitais tendem a perder espaço, favorecendo um ambiente de concorrência mais equilibrado. Ao mesmo tempo, cresce o interesse das empresas pelo tema. A Reforma Tributária voltou a figurar entre os assuntos mais pesquisados pelos brasileiros nas últimas semanas, segundo o Google Trends, refletindo a busca por informações sobre impactos práticos da transição e preparação para as novas regras. "O momento é extremamente estratégico para que empresas aproveitem o período de testes para revisar processos antes da entrada gradual dos novos tributos. É importante lembrar que a reforma representa uma oportunidade para modernizar a gestão. Empresas que possuem informações descentralizadas, processos manuais e pouca integração entre áreas sentirão mais dificuldade durante a transição. Já organizações que investirem em dados integrados e automação tendem a transformar uma exigência legal em ganho de eficiência operacional", destaca Arthur. Mas como se preparar de fato? Com o objetivo de orientar empresários, gestores e profissionais das áreas fiscal, financeira e de tecnologia sobre os impactos práticos da reforma, a Areco realizou uma transmissão especial dedicada ao tema, abordando as principais mudanças operacionais, o cronograma de implementação e os desafios de adaptação dos sistemas empresariais. Segundo Arthur, a adaptação dos clientes da Areco tem sido conduzida por meio de um trabalho consultivo de adequação à nova realidade fiscal. Somente nessa etapa, a Areco já realizou ajustes em mais de 3.2 milhões de movimentações, resultado de um levantamento analítico de cinco meses para organização e estruturação dos dados fiscais. Arthur afirma ainda que os próximos meses serão decisivos para que as empresas validem seus processos, ajustem seus sistemas e testem suas operações antes da implantação definitiva do novo modelo tributário: "O segundo semestre de 2026 representa a última grande janela para corrigir processos com menor impacto operacional. Quem utilizar esse período apenas para cumprir exigências legais perderá a oportunidade de tornar a gestão mais integrada e eficiente antes da entrada completa da reforma".
Novas exigências da Reforma Tributária colocam tecnologia no centro da operação das empresas
Adaptação de sistemas, revisão de processos e preparação para o Split Payment aceleram a transformação digital necessária para a transição ao novo modelo tributário









