Oferta vai da comida de rua contemporânea à alta cozinha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ambiente do restaurante São Miguel, recém-inaugurado em Botafogo — Foto: Divulgação/Daniela Martins RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 18:29 Explosão Gastronômica na Zona Sul do Rio: Novos Restaurantes e Reformas A cena gastronômica da Zona Sul do Rio de Janeiro está em plena efervescência com a abertura e renovação de diversos restaurantes. Destacam-se o São Miguel em Botafogo, com um investimento de R$ 21 milhões, e o Esperança.Eco em Laranjeiras, que se mudou para um espaço mais amplo. Em Copacabana, o Push Pop Sushi traz um conceito inovador de sushi takeaway. Outras inaugurações incluem o Zalaiê, Santo Taco e Chicharrón em Botafogo, além do Côt Parrilla no Leblon, que apresenta uma parrilla asiática. As reformas também marcam presença com o Talho Capixaba e a Churrascaria Palace, ampliando suas capacidades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem passa pelo número 33 da Rua Assunção, em Botafogo, não imagina o universo que se esconde atrás da fachada discreta do restaurante São Miguel, um investimento de R$ 21 milhões. São dois mil metros quadrados que se desdobram até a Rua Bambina, num percurso que mistura arte e surpresa em cada transição de ambiente. Tudo começa pelo bar, instalado em uma casa preservada de 1928, onde o artista francês Benoit Gentil pintou, nas sancas, a ladainha do arcanjo que dá nome ao restaurante. É preciso contextualizar: durante a pandemia, o restaurateur Marcelo Torres se apegou a São Miguel e, pela primeira vez, uma casa do Grupo Best Fork passou a carregar o nome da própria razão social. Sim, todos os seus empreendimentos seguem a tradição de nomes de santos, uma assinatura simbólica que funciona como fio condutor do projeto. A partir dali, o espaço se abre para um jardim que funciona como prelúdio do que está por vir. É como uma pausa antes de prosseguir: mesas distribuídas entre o verde, duas jabuticabeiras, um lago de carpas, um impressionante pé-direito de 12 metros e 350 lugares. O teto totalmente envidraçado faz o céu participar da experiência, a luz muda, as nuvens passam. No salão, a recepção é marcada por dois anjos esculpidos por Alfredo Ceschiatti. As obras, que antes pertenciam à casa de Torres, foram incorporadas ao restaurante para ganhar público e novo significado. Ali, deixam de ser peças privadas e passam a integrar a narrativa do espaço, como guardiões. Outra peça do acervo de Torres aparece em um ponto inesperado: o banheiro. Trata-se de um quadro holográfico de David Bowie, assinado pelo fotógrafo e artista visual britânico Gavin Evans, uma obra que se transforma conforme o ângulo e a luz, revelando diferentes versões do artista. — Foram quatro anos desde o dia em que um amigo me mostrou o terreno até a abertura, em maio. Na época, eu tinha acabado de abrir o Nolita Roastery e não pensava em uma nova casa naquele. Mas, ao chegar ali, vi de imediato a oportunidade de criar um jardim com mesas, algo que tinha visto na Austrália. Queria fazer algo diferente de tudo o que já existe, e talvez até de tudo o que eu mesmo já tinha feito — recorda Torres. São 110 funcionários. A carta de drinques leva a assinatura de Laura Paravato e nasce de coquetéis clássicos revisitados com elegância, sempre atravessados por um gesto autoral e um toque sutil de brasilidade, que imprime identidade e leveza à seleção. A gastronomia é brasileira, conduzida pelo calor do forno a lenha e pela vitalidade de uma cozinha aberta, onde o preparo dos pratos se transforma em cena, aroma e movimento diante do comensal. Esperança Eco. Casa em Laranjeiras foi reaberta em um novo endereço, ao lado do antigo ponto — Foto: Divulgação/Santiago Harte Mas não é só a abertura do São Miguel que se destaca atualmente na cena da gastronomia da Zona Sul. Também em maio, mas em Laranjeiras, o Esperança.Eco fechou as portas, mas retomou as atividades alguns metros adiante. O restaurante deixou o endereço que ocupava na Rua General Glicério, onde acaba de abrir a Bicho Pão, e em maio reabriu na loja ao lado, em um espaço mais amplo e renovado. Entre as novidades estão um deque com vista para a praça, cozinha aberta e a carta de drinques autorais assinada pelo mixologista Walter Garin. As mudanças vieram acompanhadas de uma programação gastronômica ampliada, que inclui noites dedicadas à culinária japonesa vegana, sob o comando do chef Tiago Bier. — A nova casa foi uma escolha muito consciente. A gente queria um espaço que traduzisse melhor o que o Esperança é hoje. Mais amplo, mais confortável, mas ainda com alma — afirma a chef Verônica Moreira. A inauguração mais próxima será no dia 29, quando Copacabana receberá a primeira unidade da Push Pop Sushi. Os sushis serão servidos em tubos individuais e preparados para venda no formato takeaway. A novidade é comandada pela empresária Manuela Ornelas, à frente do Grupo Divina Providência. — O Push Pop Sushi foi pensado para quem tem uma rotina dinâmica, mas não abre mão de uma boa experiência gastronômica. É uma forma prática, acessível e contemporânea de consumir sushi — afirma. Mexicano, peruano e parrilla asiática Em Copacabana, o Zalaiê abriu as portas na Rua Barão de Ipanema com receitas da chef Carol Meloni inspiradas nas culinárias árabe e mediterrânea. Já Botafogo recebeu duas inaugurações na Rua Nelson Mandela. O Santo Taco nasceu com um cardápio dedicado à culinária mexicana. Sob o comando do chef Pedro de Carvalho, formado pela École Ferrandi, em Paris, a casa reúne clássicos como tacos, burritos, tostadas e elotes. Também em Botafogo, o chef Marco Espinoza inaugurou a terceira unidade da sanduicheria peruana Chicharrón. O restaurante aposta nos sabores tradicionais da comida de rua daquele país, com destaque para os sanduíches que dão nome à marca, além de pratos conhecidos, como ceviche, lomo saltado e arroz chaufa. — O Chicharrón é uma casa peruana com forte influência do street food do Peru, onde é possível experimentar sabores tradicionais, como nossos sanduíches clássicos. A proposta é informal, cheia de alegria, o que me lembra muito os lugares que existem em Lima. Estamos felizes com o sucesso da marca. Em menos de seis meses, abrimos nossa terceira unidade na Zona Sul — afirma Espinoza. Chicharrón. Casa é a terceira aberta por Marco Espinazona na Zona Sul — Foto: Divulgação/Tomás Rangel Em abril, foi a vez de Ipanema ganhar um novo point gastronômico. Inaugurada em 9 de abril, a Casa Magnólia aposta na releitura de clássicos da culinária carioca. Batizado a partir de uma canção de Jorge Ben Jor, o restaurante é comandado pelo chef Thiago Gonçalves. A casa também abriga um balcão de acepipes vendidos por peso, com receitas frias e quentes. Nos próximos meses, um projeto de mercearia pretende recuperar a vocação original do imóvel, que abrigou um estabelecimento do gênero no início do século passado. — A proposta foi criar uma brasserie carioca que valorizasse a memória gastronômica do Rio, reinterpretando sabores clássicos da cidade em um ambiente acolhedor e contemporâneo — afirma o restaurateur Fabio Dupin. No Leblon, o Côt Parrilla abriu as portas em março com um conceito ainda pouco explorado na cidade: a parrilla asiática. Instalado na esquina da General San Martin com a Cupertino Durão, onde funcionou por décadas o Le Coin, o restaurante combina a técnica de preparo na brasa típica dos países platinos com sabores e ingredientes da culinária asiática, especialmente a coreana. Sob o comando da chef Mariana Rabello, o cardápio reúne pratos pensados para compartilhar, cortes preparados na parrilla, acompanhamentos tradicionais da Coreia e receitas que exploram ingredientes como gergelim, gengibre, pimenta e molhos fermentados. O fogo ocupa papel central na experiência e aparece logo na entrada da casa, onde a parrilla se tornou a protagonista do projeto. — Escolhemos o Leblon por sua vocação familiar e pela valorização de experiências compartilhadas à mesa. Também vimos espaço para uma proposta gastronômica inovadora no bairro e buscamos unir essa novidade ao respeito pela história do endereço e à identidade local — afirma o sócio Guilherme Brant. Côt Parrilla. No Leblon, a casa investe na parrila asiática sob comando da chef Mariana Rabello — Foto: Divulgação/Rodrigo Azevedo Ainda entre as novidades deste ano, o Let’s Poke, que tem como sócio o bicampeão mundial de surfe Filipe Toledo, inaugurou sua operação no Leblon no fim de fevereiro. A casa investe em refeições leves e personalizáveis, alinhadas ao perfil de consumidores que buscam praticidade sem abrir mão de ingredientes frescos. No mesmo mês teve ainda a mudança de endereço do Mandala Kebabs. Depois de conquistar público com kebabs inspirados nas culinárias turca, levantina e mediterrânea, a casa criada por Yhasmin La Porta e pelo chef Lucas Calvet deixou o pequeno espaço em Botafogo para ocupar um casarão de dois andares no Humaitá. A nova fase amplia a proposta do restaurante, que mantém os kebabs como protagonistas, mas ganha pratos autorais assinados por Calvet e pela chef Lailla Vianna, além de uma carta de drinques criada pela mixologista Laura Paravato. O movimento de renovação da gastronomia da Zona Sul, porém, já vinha ganhando força desde o ano passado. Entre as aberturas mais recentes estão o Iná, no Leblon; o Nonô, em Botafogo, que une gastronomia e programação cultural dentro da Acaso Cultural; e o Berries Brunch & Bistrô, no Flamengo. Entre obras e trocas de comando As reformas também movimentaram a cena gastronômica da Zona Sul nos últimos meses. Em Ipanema, o Teva entrou em uma nova fase às vésperas de completar dez anos no mesmo endereço. A casa ganhou salão e varanda renovados, com projeto assinado pela arquiteta Alice Tepedino, além de um ambiente com atmosfera de bistrô contemporâneo. Teva. Casa em Ipanema vai completar dez anos agora com cara de bistrô — Foto: Divulgação/Ocre No Leblon, o mezanino do Talho Capixaba foi totalmente renovado e ampliou sua capacidade para 60 lugares, onde são servidas as pizzas de fermentação natural e as massas produzidas diariamente. Também no bairro, o Pabu Izakaya iniciou uma renovação que inclui projeto de luz e som e futuras intervenções na área externa. — Neste novo momento, pizzas e massas assumem papel de destaque no mezanino. Preparadas em forno a lenha, as pizzas são servidas com azeite aromatizado da casa ou pesto — comenta Beto Abrantes, sócio do Talho Capixaba. Em Copacabana, a Churrascaria Palace incorporou a loja vizinha e inaugurou um novo salão para 160 pessoas. Já em Botafogo, o Empório do Galeto investiu R$ 800 mil para ampliar sua capacidade de atendimento de 98 para 160 lugares, enquanto o Boteco Mané, no Flamengo, reabriu após sete meses de obras e um investimento superior a R$ 1 milhão, em uma modernização que redesenhou a operação e trouxe um novo balcão inspirado na tradição dos botequins cariocas. Emile. Tomate, crustáceos e melão, receita do chef argentino Bernabé Simón Padrós — Foto: Divulgação/Tomás Rangel Nos hotéis da região, as principais novidades vieram das cozinhas com trocas de comando. No Emile, restaurante do hotel Emiliano, em Copacabana, a chegada do chef argentino Bernabé Simón Padrós, em março, marcou o início de uma nova fase. Nascido em Salta, no norte da Argentina, Bernabé construiu sua trajetória em influentes restaurantes da América Latina. A experiência acumulada em projetos internacionais e em cozinhas reconhecidas pela pesquisa de ingredientes e identidade territorial se reflete agora em sua proposta para o Emile. O novo menu aposta em uma alta gastronomia centrada no produto, com destaque para ingredientes brasileiros. Os pratos são construídos com poucos elementos, valorizando textura, frescor e precisão de sabores, enquanto a técnica aparece de forma discreta, a serviço da matéria-prima. — A técnica deve sustentar o sabor, nunca dominá-lo — resume o chef, que explora contraste de texturas, acidez e frescor. No mesmo bairro, o Alloro al Miramar colhe os frutos da chegada da chef Juliana Magioli, que assumiu a cozinha do restaurante italiano do hotel Miramar by Windsor. Carioca, a chef construiu boa parte de sua carreira no Cipriani, do Copacabana Palace, onde permaneceu por quase sete anos e chegou ao cargo de subchef. No Alloro, ela imprime uma assinatura que combina técnica refinada, influências da tradição italiana e um olhar contemporâneo. O cardápio reúne massas artesanais, risotos, frutos do mar e releituras de clássicos, com atenção especial aos contrastes de texturas e à criação de molhos, uma de suas especialidades. — O meu menu tem uma fusão de sabores familiares com um toque moderno e criativo. Quero que os pratos sejam mais do que uma refeição, mas uma experiência afetiva com emoção e carinho. Busco transmitir a alma da Itália, a complexidade dos sabores e a paixão que coloco em cada detalhe —explica a chef.
Menu farto e renovado: restaurantes recém-abertos ou reformados movimentam cena gastronômica da Zona Sul
Oferta vai da comida de rua contemporânea à alta cozinha
TL;DRAI
São Miguel investe R$ 21 milhões em Botafogo; oito restaurantes abrem/reformam na Zona Sul com formatos inovadores (sushi takeaway em tubos, parrilla asiática). Onda sinaliza recuperação econômica e demanda por inovação gastronômica.
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