Painel discutiu o papel do setor privado na agenda climática e as oportunidades do Brasil em áreas como energia renovável, agricultura e bioinsumos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em painel na Rio Nature & Climate Week, Felipe Villela, Jéssica Silva, Ricardo Mussa e Ligia Camargo debatem papel do setor privado na implementação de soluções para clima, natureza e desenvolvimento — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:17 Lideranças Destacam Papel do Setor Privado na Agenda Climática no Brasil Durante a Rio Nature & Climate Week, lideranças destacaram a necessidade de integrar compromissos ambientais às decisões de negócios, evitando que a sustentabilidade seja uma agenda paralela. O setor privado deve ser protagonista na agenda climática, com iniciativas que gerem resultados concretos. O Brasil, com sua abundância energética, tem oportunidades únicas para se destacar na nova economia sustentável. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Transformar compromissos climáticos e ambientais em resultados concretos exige que a sustentabilidade deixe de ser retratada como uma agenda paralela e passe a orientar decisões estratégicas, investimentos e modelos de negócio. Essa foi uma das principais mensagens do painel “Os negócios como força motriz para a implementação: Liderança do setor privado em prol da natureza, do clima e do desenvolvimento”, realizado na noite de abertura da Rio Nature & Climate Week (RNCW), na última terça-feira, 2, no Rio de Janeiro. A discussão, mediada por Felipe Villela, diretor da Earthshot Prize, teve participação de Ricardo Mussa, presidente da Sustainable Business COP 30 (SBCOP); Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken; e Jéssica Silva, CEO do Sistema B Brasil. A conversa partiu da constatação de que, embora tenha crescido nos últimos anos o número de compromissos empresariais relacionados a temas como neutralidade de carbono e geração de impacto positivo, a urgência agora é outra: — Discutir o papel do setor privado não como espectador da transição, mas como parte central da solução — iniciou Villela. Para Mussa, uma das contribuições do setor privado está na capacidade de articulação coletiva. Ele citou a SBCOP, iniciativa lançada em 2025 inspirada no modelo do B20. Liderada pelo setor produtivo brasileiro, ela reúne associações empresariais de dezenas de países para garantir o engajamento de empresários e entidades no cumprimento dos acordos firmados durante as COPs. Hoje, a aliança representa cerca de 43 milhões de empresas, disse Mussa, ressaltando que é possível usar essa estrutura para ampliar o diálogo entre governos e o mercado. — Quando sentamos à mesa de negociação, temos legitimidade para sermos ouvidos porque representamos uma parcela muito significativa da economia global — afirmou, acrescentando que o desafio agora é transformar essa representatividade em influência nas negociações. Metas de sustentabilidade Camargo, por sua vez, destacou que definir metas é apenas o primeiro passo. Para ela, os maiores desafios surgem justamente na implementação, especialmente quando as iniciativas precisam ultrapassar os limites da própria empresa e envolver fornecedores, parceiros, clientes e demais integrantes da cadeia de valor. Em um cenário de pressões econômicas e incertezas geopolíticas, disse, a sobrevivência das agendas de sustentabilidade depende de sua capacidade de demonstrar resultados concretos para o negócio. — Sustentabilidade precisa estar integrada à estratégia da empresa e demonstrar valor econômico, social e ambiental ao mesmo tempo. Só assim ela consegue se manter de forma consistente — afirmou. — É fundamental desenvolver projetos sólidos, que gerem resultados reais e consigam demonstrar sua competitividade ao longo do tempo. Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken, fala em painel na Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação Essa lógica orienta iniciativas que vêm sendo desenvolvidas pela própria Heineken. Camargo citou como exemplo a parceria firmada com a Rizoma Agro para restaurar mais de 800 hectares em áreas próximas à fábrica da companhia em Itu, no interior paulista, por meio de sistemas agroflorestais. Além da captura de carbono e da recuperação hídrica, o projeto busca aumentar a resiliência da operação em uma região estratégica para a produção da empresa. — Nossa meta é devolver à natureza 100% do volume de água que colocamos em nossos produtos. Além de ser um compromisso público, isso é uma necessidade operacional. Garantir água significa garantir a continuidade do negócio — disse a diretora. Governança e impacto Ao defender a integração entre impacto e estratégia empresarial, Silva citou iniciativas que buscam mensurar os efeitos socioambientais das operações de forma semelhante aos indicadores financeiros tradicionais. Como exemplo, ela mencionou a Natura e seu modelo de IP&L (Integrated Profit and Loss), ferramenta desenvolvida para atribuir valor econômico aos impactos sociais e ambientais gerados pela companhia. Instrumentos desse tipo, disse, ajudam a tornar visíveis benefícios que frequentemente aparecem apenas como custos. Outro caso destacado por ela foi o da Manioca, empresa paraense certificada pelo Sistema B que atua com produtos da sociobiodiversidade amazônica. Segundo Silva, ao investir na qualificação de fornecedores, na disseminação de conhecimento técnico e no fortalecimento de cadeias produtivas locais, a companhia gera impactos sociais e ambientais positivos enquanto fortalece seu próprio modelo de negócio. — O setor privado movimenta algo entre 70% e 80% do capital financeiro global. Não existe solução para a emergência climática sem financiamento — disse Silva, acrescentando que a discussão sobre sustentabilidade é, na prática, também sobre estratégia empresarial. — Estamos falando de decisões de negócio. Jéssica Silva, CEO do Sistema B Brasil, em painel na Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação Oportunidades para o Brasil No caso do Brasil, há ainda outro ponto fundamental, segundo Mussa: o país reúne condições singulares para se posicionar como um dos principais destinos globais de investimentos ligados à nova economia. O avanço da geração renovável, afirmou, colocou o território brasileiro em uma situação inédita de abundância energética, criando oportunidades para a atração de indústrias e para a expansão de setores estratégicos. — O Brasil, por possuir energia abundante e renovável, torna-se naturalmente um destino atrativo para investimentos — afirmou, lembrando que o país passou, nas últimas décadas, por transformações importantes tanto na agricultura quanto na energia: se antes dependia de importações, disse, hoje dispõe de excedentes em áreas como geração solar e eólica. — É necessário entender quais são as fortalezas do Brasil e como transformá-las em desenvolvimento econômico.
Empresas precisam transformar compromissos ambientais em decisões de negócio, dizem lideranças na RNCW
Painel discutiu o papel do setor privado na agenda climática e as oportunidades do Brasil em áreas como energia renovável, agricultura e bioinsumos








