A eletricidade acabou aos 33 minutos depois do meio-dia. Devido a uma sequência de acontecimentos improváveis que causaram o colapso da rede elétrica, Portugal e Espanha passaram cinco horas completamente no escuro no dia 28 de abril de 2025, e quase 24 horas até retornar à normalidade. Geradores entraram em ação pelos dois países, mas, quando precisaram de mais combustível, não havia como fazê-lo chegar porque encher caminhões-tanque requer... eletricidade. Portugal e Espanha, como praticamente todo o resto do mundo, não estavam preparados para a eventualidade.
Nossa própria pequena grande incerteza aconteceu esta semana. Estamos em Praia, Cabo Verde, um colega português e eu, mais meu fiel escudeiro-marido, para um curso de nivelamento para a pós-graduação que o Instituto Gulbenkian organizou para jovens de países de língua portuguesa. Nossos aposentos são em um pequeno edifício de dez suítes dentro da Embaixada de Portugal, muito mais simples do que minha imaginação supôs ao saber onde ficaríamos hospedados, mas corretos.
Até que, já na terça-feira, a água do nosso edifício acabou. Teria sido fácil nos prepararmos para a eventualidade com galões e baldes, mas chegamos aqui trazendo nossas certezas europeias e estadunidenses que incorporam o fluxo de água nos canos e torneiras como um fato garantido da vida, quando a realidade da ilha, na costa oeste do Senegal, é seca.











