Quando o dia amanhece, as nossas vidas não acompanham. Um amanhecer sem eletricidade paralisa tudo, por isso saímos à procura de luz. Percorremos ruas de um município a outro que compõem a província de Havana em busca de ligação para carregar as baterias esgotadas dos nossos celulares. “Antes não tínhamos celulares, não estávamos, como agora, ligados o tempo todo e éramos felizes. Agora temos os aparelhos, mas estamos incomunicáveis e infelizes”, resume uma amiga. Conversamos animadamente, não parecemos preocupadas nem que tenhamos percorrido longas distâncias desde a periferia, com transportes quase inexistentes, para procurar eletricidade no centro da cidade.
Ninguém, entre aqueles que nos observam, diria que a ausência de energia nos afeta e limita nossas vidas de maneira quase absoluta. Apenas duas ou três horas durante a noite, quando há luz, têm de ser suficientes para satisfazer todas as expectativas pessoais, domésticas e profissionais possíveis, pois nesse curto período a vida parece emergir.
Quando a madrugada desce, lutamos contra a incerteza que nos oprime. É preciso afastar o sono, deixá-lo para mais tarde, porque “ligaram a luz” – o grito da vizinhança celebra a chegada – após um dia inteiro ou mais sem eletricidade.






