Foi mais cínica que sincera a frase de Gianni Infantino sobre qual deve ser o comportamento diante das dificuldades impostas pelo governo dos EUA: a deportação do árbitro somali Omar Artan, os vistos de 36 horas para a delegação do Irã jogar em Los Angeles, a necessidade de os iranianos voltarem para Tijuana, no México, logo depois das partidas.

"Chill and relax." Ao pé da letra, significa "relaxe e fique tranquilo." Impossível não pensar na tradução livre do português, que causou mal-estar em 2007 à então ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao falar sobre a crise aérea.

A versão Fifa do "relaxa e goza" não pega bem em nenhuma circunstância. É inegável que esta Copa tem um problema inédito, superior ao boicote dos americanos aos Jogos de Moscou (1980) ou ao contra-ataque soviético a Los Angeles (1984).

É a primeira vez que um Mundial começa num país-sede que está em guerra com um dos visitantes classificados. Nunca é demais lembrar que o Iraque jogou a Copa de 1986 enquanto havia conflito com o Irã, mas os iranianos não estavam no torneio.

E que a Áustria, anexada pela Alemanha, não foi à França em 1938.