"Calma, relaxem". Essa foi a mensagem do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao tentar amenizar as críticas aos problemas com vistos e às restrições a estrangeiros impostas pelos Estados Unidos que têm marcado o começo da Copa do Mundo. Segundo ele, a entidade máxima do futebol não pode ditar decisões migratórias aos países-sede. Falando antes da abertura do torneio nesta quinta-feira entre México e África do Sul, Infantino gerou controvérsia ao abordar os questionamentos à decisão do governo de Donald Trump de barrar a entrada do árbitro somali Omar Artar, apesar de ele possuir um visto americano válido. "É lamentável o que aconteceu com o árbitro da Somália", disse Infantino em uma entrevista coletiva, a primeira concedida em três anos. "Nós tentamos, vamos ver. Talvez, às vezes, também seja bom manter a calma, relaxar. Estamos trabalhando em tudo e tentando resolver tudo." "Não somos os reis do mundo que podem mandar em governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva", continuou o presidente da Fifa. O caso gerou críticas e chamou a atenção para os desafios migratórios antes do torneio, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho, depois que autoridades americanas afirmaram que Artan teve a entrada negada por causa suas supostas ligações com "suspeitos de integrar organizações terroristas". Infantino disse que a Fifa continua trabalhando nos bastidores para resolver questões pendentes, mas ressaltou que decisões sobre imigração cabem, em última instância, às autoridades nacionais. "Sempre tentamos encontrar soluções", afirmou. Às vezes, começar imediatamente a gritar e protestar produz o efeito oposto ao de encontrar uma solução." Questionado se as controvérsias envolvendo vistos o fizeram se arrepender de escolher os EUA como um dos países-sede, Infantino respondeu que não tem arrependimentos. “Existem problemas; isso é normal em um evento dessa magnitude”, disse. “Alguns vêm dos EUA, alguns do Canadá, alguns do México. Lidamos com todos eles.” O presidente da Fifa também citou a participação do Irã no torneio como exemplo dos esforços da entidade para lidar com circunstâncias políticas complexas. “As pessoas diziam que o Irã não poderia vir à Copa do Mundo”, afirmou Infantino. “Eu prometi que eles viriam.” Segundo ele, garantir a participação iraniana apesar das tensões geopolíticas demonstra a capacidade do futebol de unir as pessoas. O dirigente suíço-italiano voltou repetidamente à mensagem de união, afirmando que a Copa do Mundo pode oferecer um alívio em um momento de conflitos e incertezas globais. “Quando o Irã jogar, o estádio estará cheio e espero que haja uma atmosfera positiva, porque isto é futebol”, disse. “Queremos unir o mundo.” Infantino também defendeu a política de preços dos ingressos da Fifa, após críticas de torcedores que consideram os custos para assistir aos jogos excessivamente altos. A Fifa já vendeu mais de seis milhões de ingressos para o torneio, agora ampliado para 48 seleções, e a demanda superou as expectativas por um fator de “10 vezes ou mais”, afirmou. “O preço inicial de US$ 60 é o mais baixo entre todos os esportes americanos em fases decisivas”, disse Infantino. “Se vendêssemos por um valor menor, os ingressos acabariam sendo revendidos no mercado secundário por preços muito mais altos. Cada dólar arrecadado é reinvestido no desenvolvimento do futebol.” Gianni Infantino, presidente da Fifa, em entrevista coletiva — Foto: Henry Romero/Reuters