O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), virou o principal alvo de pressões do governo e da oposição em torno de projetos com impacto bilionário sobre as contas públicas. Após a aprovação, pelo Senado, da proposta que cria uma linha especial para renegociação de dívidas de produtores rurais, a tensão agora se deslocou para a Câmara, onde caberá a Motta decidir o ritmo de tramitação da matéria.

O Palácio do Planalto trabalha para evitar que o projeto avance rapidamente. O Ministério da Fazenda considera a proposta uma “pauta-bomba” por causa do impacto estimado sobre a dívida pública e vê a tramitação como mais uma derrota potencial em meio ao esforço de ajuste fiscal.

Já do lado da oposição, congressistas ligados ao agronegócio pressionam para que a votação ocorra o quanto antes, argumentando que muitos produtores dependem da renegociação para acessar futuras linhas de crédito rural.

O impasse ganhou um ingrediente adicional por causa da urgência do projeto de lei enviado pelo governo para regulamentar aspectos do fim da escala 6×1. Como o prazo de análise expirou, a pauta da Câmara está trancada para a votação de projetos de lei, o que impede o avanço de diversas matérias, incluindo a proposta aprovada pelo Senado sobre as dívidas rurais.