Líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), disse que não há compromisso da Casa com a suspensão de matérias com alto impacto fiscal Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) — Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera que, com a retirada da urgência do projeto de lei (PL) que prevê o fim da escala 6x1 e o consequente destravamento da pauta da Casa, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não coloque em votação as chamadas "pautas-bomba", como são chamadas as matérias com alto impacto fiscal. A decisão foi tomada por meio de uma articulação entre os Poderes para que a pauta na Casa avançasse e não prejudicasse votações que são consideradas importantes para Motta. O entendimento foi firmado em reunião com o presidente da Câmara e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, na segunda-feira (15). Isso porque, como mostrou o Valor, havia no governo o receio de que a retirada da urgência do projeto abrisse espaço para o avanço de propostas com elevado impacto fiscal. Apesar de interlocutores do governo afirmem que o acordo foi selado, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a retirada da urgência do PL que acaba com a 6x1 não implica compromisso da Casa em barrar a votação dessas matérias com alto impacto fiscal. Nos bastidores, porém, fontes admitem o acordo, mas não garantem por quanto tempo ele será cumprido. Interlocutores de Motta também evitam confirmar compromisso com prazos. Eles afirmam que a prioridade do presidente da Câmara é votar o projeto que regulamenta a inteligência artificial, que aumenta o teto do Microempreendedor individual e que tipifica a misoginia como crime. Mas dizem que não é possível garantir que propostas com alto impacto fiscal não sejam votadas nas próximas semanas, porque depende do desejo da maioria da Casa. Já a preocupação do governo é com o avanço de propostas que, segundo a equipe econômica, têm impacto fiscal, seja na forma de aumento de despesa ou renúncia de receita, de R$ 111 bilhões por ano. São nove em tramitação que estão sendo monitoradas. Entre as de maior impacto fiscal, está o PL de renegociação das dívidas rurais, que foi aprovado pelo Senado, mesmo com o governo contra o texto. A proposta volta para análise dos deputados. A avaliação de interlocutores é que Motta pode não conseguir evitar a votação, pelo fato de a bancada do agronegócio ser a maior da Casa. O impacto fiscal da proposta seria de R$ 140 bilhões em 13 anos, segundo o governo. Nos bastidores, a avaliação é que Lula deverá vetar a proposta caso ela seja aprovada. Interlocutores do governo não descartam judicialização, caso o veto seja derrubado pelos congressistas. Também há uma preocupação do governo em relação às propostas que aumentam ou constituem pisos salariais e regimes especiais de aposentadoria, todas com impacto fiscal para União, Estados e municípios. Outra preocupação é que Motta não consiga barrar o avanço do texto que eleva o teto do Simples Nacional, o que resultaria em uma renúncia de receita de R$ 50 bilhões por ano.