Objetivo é destravar o plenário da Casa, atendendo a um pedido de Hugo Motta, em uma sinalização de boa vontade ao aliado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Câmara, Hugo Motta — Foto: Brenno Carvalho/ Agência O Globo/02/02/2026 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 23:26 Lula retira urgência de projeto para evitar impacto fiscal em ano eleitoral O governo de Luiz Inácio Lula da Silva retirou a urgência do projeto que prevê o fim da escala 6x1 para desobstruir o plenário da Câmara e atender a um pedido de Hugo Motta, presidente da Casa. Essa manobra visa evitar a aprovação de pautas que comprometam o equilíbrio fiscal, especialmente em ano eleitoral. A retirada da urgência é vista como um gesto de boa vontade do governo para conter propostas com impacto financeiro aprovadas pelo Senado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pressionado por uma “pauta-bomba” aprovada no Senado, o governo Luiz Inácio Lula da Silva fez um gesto ontem ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e retirou a urgência do projeto de lei que prevê o fim da escala 6x1. A medida teve como objetivo destravar o plenário da Casa, atendendo a um pedido do parlamentar, em uma sinalização de boa vontade ao aliado para que segure os projetos que podem comprometer o equilíbrio fiscal no momento em que o petista busca a reeleição. Pelas regras do Legislativo, um projeto com a chamada “urgência constitucional”, regime em que se enquadrava o projeto do 6x1, deve ser votado em até 45 dias. Passado esse prazo, nenhuma outra proposta pode ser analisada. Motta já havia pedido a integrantes do Palácio do Planalto que a urgência fosse retirada, mas o governo entendia que era preciso manter esse regime, mesmo após a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a nova jornada de trabalho, como forma de deixar o tema em evidência. A PEC foi aprovada em maio pelos deputados e, desde então, está parada no Senado, aguardando Davi Alcolumbre (União-AP) definir o rito de tramitação. Mudanças no texto Diante da negativa inicial do governo em retirar a urgência, Motta escalou o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para relatar o projeto do Executivo e chegou a marcar a análise do texto para ontem, com objetivo de destravar a pauta de votações (que estava bloqueada desde 30 de maio). A ideia era votar o texto tal qual aprovado na PEC e, dessa forma, não haveria oposição de governistas. O cenário mudou, no entanto, quando o Planalto percebeu que alguns pontos poderiam gerar ruídos. O relator, por exemplo, pretendia fazer mudanças no texto enviado pelo governo para adequar a CLT e a lei do descanso à PEC. Isso incluiria, por exemplo, ajustes para evitar alterações no valor da hora extra, em linha com o espírito da PEC de não ter redução nem aumento salarial, e a retirada de trechos que tratassem de categorias específicas. O acordo foi fechado na noite de segunda-feira, em reunião do ministro José Guimarães (Relações Institucionais) com o presidente da Câmara. Segundo pessoas que acompanharam as conversas, a expectativa do Planalto é que, com esse gesto, Motta barre o andamento de pautas-bomba que foram aprovadas no Senado na semana passada. Os senadores aprovaram três medidas com impacto orçamentário, contrariando o apelo da equipe econômica de Lula, entre elas a que trata da negociação de dívidas rurais. O Ministério da Fazenda estima um custo de cerca de R$ 140 bilhões nos próximos dez anos somente com esse projeto. Motta já havia sinalizado a integrantes do Planalto que não daria andamento a essas propostas neste momento na Câmara. Ele reconheceu, no entanto, que haveria forte pressão da bancada ruralista, uma das mais influentes do Congresso. Divergências Apesar dessa sinalização, havia desconfiança entre integrantes da equipe econômica, já que a Câmara também chancelou propostas com impactos nas contas públicas, a exemplo da PEC das Igrejas, que amplia a imunidade tributária para entidades religiosas. Segundo relatos de três pessoas que acompanharam as conversas em torno da manutenção ou não da urgência, não havia consenso no governo sobre qual estratégia adotar. De um lado, os ministros José Guimarães e Dario Durigan (Fazenda) defendiam ceder ao pedido de Motta. De outro, eram contra Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social). O chefe da comunicação de Lula negou ter sido contrário. Os demais ministros também foram procurados, via assessoria de imprensa, e não responderam. O primeiro grupo defendia não tensionar a relação com Motta num momento em que há ruídos com a cúpula do Senado. O principal argumento era a necessidade de impedir o avanço dessas pautas-bomba. Além disso, integrantes da Secretaria de Relações Institucionais defendiam destravar a pauta de votações da Câmara para avançar com temas de interesse do governo, a exemplo do projeto que atualiza o teto do microempreendedor individual (MEI) e a regulação da inteligência artificial. Outra ala do governo defendia a manutenção da urgência como maneira de pressionar o Senado a discutir o tema. Alcolumbre ainda não definiu qual será o rito da proposta no Senado e indicou a auxiliares de Lula que gostaria de ter uma conversa com o petista antes de destravar a votação do tema na Casa. Os dois estão afastados desde que os senadores impuseram uma derrota histórica a Lula ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. ‘Grande erro’ Um dos que se manifestaram publicamente contra essa estratégia foi o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos vice-líderes do governo na Câmara. O parlamentar classificou a decisão como “um grande erro” do governo federal: — O governo perde um instrumento para pressionar Alcolumbre a pautar o projeto antes das eleições. As forças que tentam empurrar essa votação para as calendas estão comemorando. Agora, dependemos de Alcolumbre e do seu jogo. Não consigo entender uma decisão dessa. O governo quer que a PEC seja votada ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar (que começa oficialmente em 18 de julho). A avaliação é que o fim da escala 6x1 pode ser uma das marcas do governo Lula 3 e uma bandeira a ser explorada pelo petista na campanha à reeleição.