O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu oficialmente na pauta do plenário da próxima terça-feira (16) o projeto de lei (PL) do Executivo que põe fim à escala 6x1. O texto, contudo, deve ser aprovado com o mesmo escopo da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema e foi aprovada pela Casa em maio. Leia mais: A manobra vem para destravar a pauta da Câmara, que segue trancada porque a proposta do Executivo foi enviada com urgência constitucional e não foi apreciada dentro do prazo exigido nesse regime. Quando um projeto enviado pelo presidente da República com urgência não é apreciado em até 45 dias, ele passa a trancar a pauta da Casa em que estiver tramitando. Na prática, outros projetos de lei, com exceção das PECs, ficam impedidos de avançar até que a matéria seja votada — ou que seja retirada a urgência, o que cabe ao chefe do Executivo. O PL foi enviado pelo governo como estratégia para apressar a votação da PEC na Câmara. Antes da votação da PEC, no entanto, a cúpula da Casa tinha feito um acordo com o presidente Lula para que o PL também fosse votado, mas com outro foco: a regulamentação dos casos específicos. Contudo, segundo aliados, Motta, irritado com a resistência do Executivo em retirar a urgência, adotou a postura de votar o mesmo texto. Motta fez vários apelos ao governo para retirar a urgência, mas não houve acordo. O parlamentar chegou a sinalizar ao Palácio do Planalto que o plenário votaria um projeto de lei complementar que cria uma exceção à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), permitindo a redução de tributos sobre combustíveis em 2026, uma das prioridades da equipe econômica. Mas nem isso foi suficiente para mudar a posição do governo, o que incomodou o presidente da Casa. Diante disso, ele afirmou a aliados que não deixará o Planalto ditar o funcionamento da pauta e definiu, na quinta-feira (11), o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator. O anúncio foi feito nas redes sociais. Prates também foi o relato da PEC da 6x1.