O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado presidido pelo Ministério de Minas e Energia, decidiu manter os parâmetros atuais de aversão a risco nos modelos computacionais que orientam a operação do sistema elétrico brasileiro e a formação de preços para a operação para 2027. A decisão foi tomada em reunião nesta quarta-feira (10). A “aversão ao risco” é um parâmetro de orientação nos modelos de simulação utilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para definir a utilização da água para geração de energia elétrica ou seu armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas, o que influencia no maior ou menor despacho de usinas térmicas. Com a deliberação, fica mantido o par CVaR de 15,40, o que significa que os modelos irão continuar considerando os 15% piores cenários hidrológicos com um peso de 40% para determinar até que ponto utilizar água dos reservatórios ou despachar usinas termelétricas para garantir o fornecimento. A avaliação do colegiado é que o parâmetro de 15,40, em vigor desde janeiro de 2025, é o que mais se aproxima do atual nível de aversão ao risco e tem demonstrado aderência à realidade operacional. Segundo o governo, isso é evidenciado pela expressiva redução dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) observada nos últimos anos. A decisão, apontou o MME, vai ao encontro da segurança energética do sistema e favorece a obtenção de respostas apropriadas no Custo Marginal de Operação (CMO), que indica o custo para produzir o próximo megawatt-hora (MWh) que o sistema necessita, e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que indica o custo da energia no mercado de curto prazo. O governo sustenta que vem sendo observado uma formação de preços no curto prazo mais adequada à realidade operacional do sistema elétrico nacional, evidenciando, com maior precisão, os custos da geração de energia elétrica acionada para atendimento à carga. "A maior compatibilidade entre operação e formação de preço no curto prazo fortalece o sinal econômico, que passa a orientar, de maneira mais eficiente, a alocação de custos, a gestão de riscos, os investimentos e as decisões estratégicas do setor elétrico nos horizontes de médio e longo prazos", informou o MME, em nota. A pasta afirma ainda que a aderência contribui para reduzir a necessidade de intervenções extraordinárias ao planejamento da operação do sistema, como os despachos de usinas termelétricas mais caras para a garantia do suprimento de energia elétrica aos consumidores. O CMSE também deliberou pela atualização do Volume Mínimo Operativo nos subsistemas Norte e Nordeste e solicitou prioridade para os aprimoramentos nos modelos computacionais de suporte às atividades de planejamento, operação e formação de preços do setor. Para o Norte, o volume mínimo passará de 28% para 27,8% e, para o Nordeste, de 23,3% para 23,1%. De acordo com o MME, em relação aos modelos computacionais, o colegiado debateu os desafios para a representação computacional de um sistema cada vez mais complexo, marcado pela crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como eólica, solar e a geração distribuída, e pela ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos. "A intenção é acelerar e robustecer os aprimoramentos na cadeia de modelos do setor para aproximá-los ainda mais da realidade operativa. Sob uma premissa de governança mais participativa, a agenda também deverá prever proposta para a avaliação e desenvolvimento de outras opções de modelos para o setor, visando prover alternativas de evolução nas ferramentas que guiam o planejamento, a operação e a formação de preços." O Comitê aprovou, ainda, a resolução que estabelece diretrizes relativas à transparência das suas deliberações referentes ao despacho de geração por garantia de suprimento energético. Bandeira tarifária Durante a reunião, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que, considerando as usinas contratadas no leilão de reserva de capacidade, realizado em duas etapas em março, os modelos computacionais demonstraram redução da expectativa no preço da energia no mercado de curto prazo, resultando em menor despacho de usinas térmicas e, consequentemente, menor perspectiva de acionamento de bandeira vermelha. Segurança Também foram detalhadas as ações realizadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir o fornecimento de energia no final de semana prolongado em função do feriado de Corpus Christi, que incluiu o acionamento inédito de plano emergencial de corte nas usinas ligadas às distribuidoras no domingo (7). A medida visou equilibrar a alta geração de micro e minigeração distribuída, em um cenário de menor demanda por energia. O colegiado classificou a atuação como "segura e eficaz". O Operador também ressaltou as providências para operação especial no período dos jogos da Copa do Mundo de Futebol 2026, visando garantir o suprimento de energia com segurança durante o evento no Brasil. "O CMSE destacou que está garantido o atendimento eletroenergético do país em 2026, apontando que as ações realizadas ao longo deste primeiro semestre efetivamente proporcionaram um início de período seco com ótimas condições eletroenergéticas no SIN", afirmou o governo em nota.