Decano do STF afirma que Congresso não pode impor gastos a estados e municípios sem indicar recursos O ministro Gilmar Mendes, durante sessão do STF — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/10-10-2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 20:08 Gilmar Mendes critica "pautas-bomba" no Senado e alerta para riscos financeiros aos estados e municípios Gilmar Mendes, decano do STF, criticou a aprovação pelo Senado de "pautas-bomba", destacando que o Congresso não pode criar despesas para estados e municípios sem indicar fontes de custeio. Ele lembrou que a Constituição de 2022 proíbe esse tipo de gasto sem previsão de recursos, citando um precedente do STF sobre o piso da enfermagem. Gilmar alertou que tal prática pode enfraquecer a autonomia federativa e prejudicar serviços públicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Horas após o Senado aprovar uma série de propostas com potencial de ampliar gastos públicos, entre elas o aumento do piso salarial dos médicos, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que o Congresso Nacional não pode criar despesas para estados e municípios sem indicar a respectiva fonte de custeio. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira, o ministro destacou que a Constituição, desde 2022, passou a vedar expressamente a criação de despesas obrigatórias para os entes federativos sem a previsão dos recursos necessários para financiá-las. "O Congresso Nacional não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio", escreveu. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o Senado aprovou projetos considerados por integrantes da equipe econômica como novas "pautas-bomba". Entre as medidas estão o reajuste do piso salarial nacional dos médicos, mudanças relacionadas aos trabalhadores rurais e propostas que ampliam hipóteses de aposentadoria especial, iniciativas que podem gerar impacto bilionário nas contas públicas. Sem mencionar diretamente as votações, Gilmar recorreu a um precedente do próprio STF para sustentar seu argumento. O ministro lembrou que a Corte suspendeu a implementação do piso nacional da enfermagem justamente pela ausência de uma fonte de financiamento e condicionou sua aplicação pelos estados e municípios ao repasse de recursos pela União. Segundo o decano, a mesma lógica justifica a possibilidade de os estados estabelecerem pisos salariais regionais, levando em consideração suas diferentes capacidades financeiras. "São essas mesmas razões que explicam a possibilidade de os estados fixarem pisos salariais regionais. Cuida-se do reconhecimento de que as realidades fáticas e orçamentárias locais são distintas e merecem tratamento diferenciado", afirmou. Gilmar também fez um alerta sobre os efeitos que, segundo ele, podem decorrer da criação de obrigações financeiras uniformes para todo o país. Para o ministro, impor despesas sem compensação adequada pode enfraquecer a autonomia dos entes federativos e produzir resultados opostos aos pretendidos pelo legislador. "Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo", escreveu. O decano acrescentou que medidas desse tipo podem gerar "desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população".
Após Senado aprovar ‘pautas-bomba’, Gilmar diz que Congresso não pode criar despesas sem indicar a fonte de custeio
Decano do STF afirma que Congresso não pode impor gastos a estados e municípios sem indicar recursos












