O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a "pauta-bomba" em tramitação no Congresso possui um impacto fiscal grave que não será suportado pelo Brasil diante do momento econômico atual no país e no mundo. Conforme revelou mais cedo o Valor, alguns projetos de lei e propostas de emenda à Constituição (PEC) podem ser aprovados com um impacto fiscal de mais de R$ 270 bilhões aos cofres públicos. Durigan conversou à tarde com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o tema. "A gente não pode perder de vista a responsabilidade fiscal com o país, com a economia como um todo. Então, levei [a Alcolumbre] as preocupações, levei os projetos que têm impacto fiscal muito graves. Passei por uma lista de projetos variados", disse Durigan a jornalistas. Entre as propostas, estão os projetos que tratam da renegociação da dívida rural e criação de pisos salariais para diversas categorias e as PECs que preveem benefícios a templos religiosos e que aumentam o repasse ao Fundo de Participação Municipal (FPM). "Passamos por uma lista de projetos que é um impacto considerável e que o país não suporta", afirmou o ministro. De acordo com ele, é legítimo querer respostas aos setores, às respectivas bases, "mas não se pode botar a economia do país em risco por conta dessas pautas". Ele disse que Alcolumbre ouviu a demanda, mas não quis se comprometer com qual encaminhamento será dado pelo presidente do Congresso. "Eu não vou dar nenhum compromisso em nome dele, mas eu confio na condução do presidente Davi, que entende o momento que nós estamos vivendo, um momento sensível do mundo e os efeitos e os riscos que isso pode trazer à economia brasileira", disse Durigan. Conflito no Oriente Médio Na reunião, o ministro da Fazenda dividiu com o presidente do Congresso os desafios econômicos do Brasil diante do conflito no Oriente Médio. "Foi uma conversa muito importante em que eu pude dividir com o presidente Davi Alcolumbre a situação que a gente tem vivido no mundo e no Brasil, os desafios econômicos que a gente tem passado. Mostrei os indicadores da economia para ele, disse que temos sofrido uma instabilidade no mundo, uma instabilidade geopolítica importante, que tem causado efeitos no Brasil", relatou Durigan. O ministro pediu para Alcolumbre que a "pauta-bomba" não seja aprovada pelo Legislativo. "Nós temos direcionado os esforços do governo para proteger a população das mais diversas maneiras possíveis e [disse] que é preciso contar com a colaboração dele e do presidente Hugo Motta em relação à responsabilidade fiscal das pautas que estão aparecendo no Congresso", completou o chefe da equipe econômica. Durigan disse que não tratou do tema com Motta. O presidente da Câmara criticou o governo por não retirar de pauta a urgência do projeto de lei do fim da escala 6x1, o que está trancando a pauta da Casa. A estratégia do governo é ganhar tempo para negociar a não votação dos projetos com impacto fiscal. PEC da autonomia financeira do BC Sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá autonomia financeira e orçamentária ao BC, o ministro da Fazenda afirmou que vai se reunir com o senador Plínio Valério, relator do texto, para negociar uma proposta intermediária. Conforme revelou o Valor, Valério disse que não vai acatar a sugestão feita pelo governo, que mantém o BC como uma autarquia, ainda que com orçamento apartado. "A minha posição é de fortalecimento ao Banco Central. Nós temos que tomar algum cuidado que, a pretexto de fortalecer o Banco Central, uma série de outras regras podem ser incluídas e isso pode atrapalhar. Eu falei mais cedo com o senador Otto [Alencar, presidente da CCJ] e vou procurar o senador Plínio também para que a gente tenha um espaço para poder arrumar o texto e não ter um texto ruim sendo votado no Senado", frisou o ministro da Fazenda. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é legítimo querer respostas aos setores, às respectivas bases, "mas não se pode botar a economia do país em risco por conta dessas pautas". — Foto: Washington Costa/MF
'Pauta-bomba' do Congresso tem um impacto fiscal que o país não suportará, diz Durigan
Segundo o ministro da Fazenda, que se reuniu nesta terça (9) com o presidente do Senado, "a gente não pode perder de vista a responsabilidade fiscal com o país, com a economia como um todo"










