A normalização do ilícito combina poder e dinheiro, tempo e persistência. O Fórum de Lisboa é um ilícito normalizado.

Financiado por dinheiro invisível e protegido por estrutura de poder bem visível, sua organização tem tempo de sobra para liderar a empreitada de desinstitucionalização do país. Caminha acima de fiscalização ou accountability e converte jurisdição em negociação sem constrangimento. Pode até fechar o evento com um chiste sem custo: "Ninguém se livra de pedrada de doido ou coice de burro".

Denunciar o ilícito com jeitinho de normal precisa enfrentar a força da inércia. Num jogo desigual, o ilícito tende a vencer pelo cansaço. O esforço público para desnormalizar a prática pede persistência, memória das normas violadas, disposição diante da intimidação.

Em 2026, o Fórum de Lisboa teve um contraponto. Nos mesmos dias, aconteceu no TJ do Rio de Janeiro o "International Meeting on the Bangalore Principles of Judicial Conduct". Em seguida, em Brasília, o STJ sediou o "Congresso Internacional: Estado de Direito e Ética Judicial". Juízes de cortes superiores de Alemanha, Portugal, Holanda, Espanha, Itália, junto com alguns ministros brasileiros, debateram desafios da profissão. Conversaram sobre as normas que Lisboa viola.