O Fórum de Lisboa de 2026 será um evento histórico. Organizado por empresa privada de ministro do STF e financiado por dinheiro oculto (público e privado), será histórico não como símbolo da nossa sensibilidade republicana, mas num sentido escarniotológico, se a língua portuguesa perdoar a magistocracia pela fusão semântica do escárnio com a escatologia.
Entre os dias 1, 2 e 3 de junho, seremos agraciados por essa síntese da promiscuidade abissal, esse teatro da bajulação radical, essa apoteose do conflito de interesses sem medo. No jargão lobístico, o encontro incentiva o "direito feito nos jantares", a imparcialidade transformada em amizade financiada, a legalidade vertida em comensalidade.
Pode-se aprender a ética das profissões jurídicas pela exemplaridade, observando a integridade de juízes, advogados e clientes. O Fórum de Lisboa pratica a contra-exemplaridade: ali, juízes, advogados e autoridades ensinam ética a contrapelo. Uma arena de cumplicidade.
Escrevo há algum tempo sobre essa feira de acesso à Justiça via pulseirinha de camarote. Os desatendidos da Justiça lá não estarão.
O "JusPorn Awards 2021" indicou o Fórum à categoria "ilarilarilariê". No prêmio de 2022, levou na categoria "crônicas da vida promíscua". Em 2023, celebrou a frase "Devolva essa pergunta ao seu editor, manda ele enfiar isso na bunda", proferida pelo anfitrião indignado com pergunta de jornalista.











