O lobby que a ultradireita brasileira vem realizando nos Estados Unidos, nos últimos meses, em favor da imposição de tarifas e de outras sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras, com finalidade de obter benefícios político-eleitorais internos, é ilegal. Igualmente ilegal é conspirar internacionalmente contra o funcionamento regular das instituições democráticas do próprio país.
Sempre que essa ilegalidade é apontada, porém, os expoentes desse campo político recorrem a uma falsa equivalência para tentar justificar sua conduta. De forma deliberadamente enganosa, comparam o lobby que hoje promovem em Washington com as interlocuções públicas e transparentes estabelecidas, às vésperas das eleições presidenciais de 2022, entre representantes da sociedade civil brasileira e autoridades do governo Joe Biden, bem como com interlocutores europeus e latino-americanos. A intenção é evidente: diluir a gravidade de seus próprios atos, fazendo parecer que ambas as iniciativas possuem a mesma natureza. Não possuem.
A ilegalidade da atuação internacional da extrema-direita brasileira está sintetizada na sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 16 de junho de 2026, que condenou os responsáveis pelo crime de coação no curso de processo judicial, justamente porque, segundo reconheceu o Tribunal, buscou mobilizar o governo norte-americano para adotar medidas econômicas e diplomáticas contra autoridades do Poder Judiciário brasileiro com o objetivo de constrangê-las e impedir o livre exercício de suas funções constitucionais.









