O Brasil está exportando várias experiências e se tornou referência de tendências para o mundo. A avaliação foi compartilhada por executivas de marketing da Amazon e da Heineken no país, durante o Web Summit Rio. Camila Nunes, da Amazon Brasil, destacou a importância de uma marca internacionalmente conhecida entender as necessidades do consumidor brasileiro para se estabelecer no país. Segundo ela, as empresas de varejo precisam estar “extremamente conectadas” com o que acontece localmente para oferecer a melhor experiência ao cliente, e não ser apenas uma “marca de fora”. “Parte disso vem de não usar ou adaptar muito para uma relevância local o que vem do global. Quando é varejo, tem que falar de parcelamento, de Pix e de rede social”, observou a executiva. “O ‘creator economy’ é um negócio que, aqui no Brasil, é muito mais forte e proeminente do que em outros países”, completou. Questionada sobre as particularidades de pagamento dos brasileiros, ela disse que o parcelamento foi mais difícil de explicar aos executivos globais do que o Pix. “Principalmente, porque [o Pix] veio em substituição ao boleto", observou. “Com o tempo, você vai se tornando um negócio muito importante para a empresa e ela vai entendo. Então, a empresa sabe que o Brasil é um mercado com um sistema de pagamentos muito avançado versus outros países emergentes”, ressaltou. Segundo Camila, o país tem exportado uma série de experiências logísticas para outros países. Ela citou projetos de entrega em favelas do Rio e São Paulo, em parceria com o Favela Llog, e em comunidades ribeirinhas. “Antes, o cliente de favelas recebia em até cinco dias úteis e tinha que fazer a retirada em um ponto de coleta dos Correios. Hoje, a gente entrega em dois dias úteis para quem é cliente Prime, na porta de casa. É um projeto que estamos exportando para países que podem ter uma situação similar.” No caso da Heineken, o Brasil foi escolhido para testar a cerveja Heineken Ultimate (sem glúten, com menos álcool e calorias) devido a uma tendência local de busca por equilíbrio. “O Brasil está no momento como um país que está definindo tendências das coisas que acontecem no mundo. E uma tendência muito forte aqui no Brasil é essa coisa do equilíbrio”, observou a vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil, Cecília Bottai Mondino. A executiva também destacou o papel desafiador do marketing em um cenário polarizado. Ela disse que a marca optou por manter o patrocínio à Parada LGBT+ e lançar uma campanha com um casal de mulheres ciente das resistências que poderia enfrentar. “O positivo é tão positivo que ele até inibe o negativo. Cada vez mais, eu defendo que se posicione como você acha que a marca tem que se posicionar porque você vai ganhar tantos ‘lovers’ que vai conseguir até conter um pouco as pessoas que podem ir contra.”