'Brazilcore' potencializa movimento e exportaçãoes: "Tem despertado o interesse de compradores", afirma Fernando Valente Pimentel, Diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A marca Haight está com pop-up na Galeries Lafayette — Foto: Divulgação O incensado molho brasileiro, ingrediente intangível que se tornou alavancador de consumo de etiquetas nacionais, invadiu o verão europeu. Na onda do Brazilcore, uma série de etiquetas marca território na França, abrindo e expandindo o caminho em Paris e arredores para o estilo único e otimista do maior país localizado abaixo da linha do Equador. Entre os envolvidos nesse colonialismo às avessas estão as carioquíssimas Farm, Kenner e Granado, além do projeto Brésil à La Samaritaine, idealizado por Lucio Fonseca, brasileiro radicado em Paris há quatro anos. “Diante desse mundo maluco, o Brasil se tornou um escape. Anseiam pelo nosso otimismo”, afirma Lucio, fundador e diretor artístico da agência criativa LF Office Paris. Dayana de Moraes Bandini, Lucio Fonseca e Pat Monteiro Leclercq: projeto na Samaritaine — Foto: Edouard Richard Foi para jogar luz nessa potência que ele se uniu à diretora criativa da Onélia Agency, a paulista Dayana de Moraes Bandini, na empreitada Brésil à La Samaritaine — Bold Summer Edition, de 3 de julho a 28 de agosto. O projeto, que reúne moda, design, arte (com curadoria de Pat Monteiro Leclercq) e gastronomia, ocupará o atrium central da loja de departamentos fundada em 1870 na capital francesa e reaberta em 2021, depois de um hiato de 15 anos. Entre as marcas estarão Glorinha Paranaguá, Água de Coco, Lapima e Phebo e artistas como a carioca Maritza Caneca. “Queremos revelar facetas brasileiras não tão conhecidas no exterior, como as referências modernistas”, explica Lucio, que está há um ano desenvolvendo esse projeto. Dayana reforça: “Será uma jornada sensorial que vai refletir nossa energia vibrante por meio de uma lente tropical e contemporânea”. Campanha da Kenner: marca está na Galeies Lafayette — Foto: Divulgação O desejo pelo nosso jeitinho está em todas. A loja temporária da Kenner, marca de chinelos criada por Peter Simon, em 1988, instalou-se na Galeries Lafayette. O décor abusa de códigos de brasilidade, como uma parede inteira revestida com fitas do Bonfim. “Todo design foi pensando para vibrar nossa essência”, diz Thomas Simon, filho de Peter e CEO do grupo S2, que inclui Cantão e Redley. “O consumidor quer algo que não encontra em outras prateleiras.” Bolsa Serpui Marie::a agora em Nice — Foto: Divulgação Também na Lafayete, está a pop-up da Haight com seu beachwear minimalista. “Mais do que levar biquínis para fora, apresento a mulher brasileira de maneira sofisticada e real. Isso vem criando conexão com outros mercados”, reflete a diretora criativa da marca, Marcella Franklin. Diretora de ofertas e compras da Galeries Lafayette, Alix Morabito afirma que as grifes brasileiras trazem um novo olhar para o mercado internacional. “Por terem distribuição limitada. Isso confere um caráter de descoberta e exclusividade muito valorizado pelos consumidores”, diz. “Especialmente durante o verão, oferecem interpretação singular do estilo estival, com peças que evocam a viagem”, emenda. Diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel acredita que “o Brazilcore tem despertado interesse de compradores, embora não haja estatísticas que nos permitam isolar o impacto do movimento”. “Em 2025 as exportações brasileiras de têxteis e confecções, somaram, cerca de 1 bilhão de dólares, segundo dados do programa Texbrasil”, declara. Espaço da Granado na Printemps — Foto: Divulgação Os bons ventos são compartilhados pela paulista Serpui Marie. “Acabamos de chegar à recém-inaugurada Printemps, em Nova York, e à Galeries Lafayette, em Nice”, diz Serpui, que fundou a etiqueta em 1984 e que já teve suas bolsas em séries fashionistas, como “Emily em Paris” e “And just like that”. “Para Nice, criamos uma coleção inspirada pelo estilo de vida à beira-mar. Nossos modelos carregam referências artesanais.” Consultora de moda internacional, Simone Jordão pontua que esse movimento foi iniciado há bastante tempo, mas que agora a autenticidade atribuída ao país se transformou em desejo global: “As marcas que fazem sucesso hoje começaram bem antes do Brazilcore. Elas exportam muito mais do que roupas: entregam a leveza e o estilo de vida brasileiro, que conquista todo o mundo”. Loja da Farm em Saint-Tropez — Foto: Divulgação Nesse cenário em que o verão europeu contará com o espírito do país tropical bonito por natureza, dois símbolos do lifestyle carioca seguem em ascensão. A Farm acelera a expansão global (de 2024 para 2025, cresceu 21%) com as “Summer Stores”. Na rota, estão Ibiza (Espanha), Saint-Tropez (na França, a inauguração será na quarta-feira), Marbella (Espanha) e Capri (Itália). “Sempre tivemos o propósito de espalhar o espírito do Rio pelo mundo”, diz Fabio Barreto, CEO da Farm Global. “Apresentamos produtos globalmente relevantes e conectados à nossa cultura.” Bolsa de Glorinha Paranaguá: criações estarão na Samaritaine — Foto: Divulgação As conquista além-mar da Granado agora, além do olfato, conquistam o paladar: a marca abriu pop-up na entrada da Printemps, em Paris. “Lançamos a fragrância Yes, Nós Temos Banana. É bom levarmos um ingrediente nosso tão democrático como a banana”, observa a diretora de marketing e vendas do grupo Granado, Sissi Freeman. “Além disso, fizemos parceria com uma rede de pâtisserie vegana, a Copains, com lojas em Paris e na Europa. Incluímos no cardápio, em junho, doce e latte gelado de banana e até açaí com banana, morango e granola.” O “core” do Brasil vai longe. Fragrância da Granado lançada na Printemps, em Paris — Foto: Divulgação