Painéis no Rio2C debatem estratégias de negócios para o mercado musical O DJ Papatinho percebeu como, dentro do estúdio, seu diferencial está nas referências nacionais — Foto: Divulgação Filmart RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 21:21 Brasil supera Coreia do Sul e se destaca no mercado musical global No evento Rio2C, especialistas debateram as estratégias de negócios para a música brasileira no mercado global. O Brasil, agora um player central, ultrapassou a Coreia do Sul no ranking da indústria fonográfica, impulsionado pelo streaming. Apesar do potencial, o mercado brasileiro exige uma abordagem específica e a música brasileira ainda busca um método eficaz de exportação. A cultura rica precisa de uma narrativa unificada para gerar negócios. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Do ponto de vista dos negócios, o Brasil definitivamente deixou de ser um ponto periférico no mapa da música mundial. Dois painéis do Rio2C trataram do assunto por ângulos que se completam. De um lado, um mercado interno que cresce e disputa o centro das estratégias de gravadoras e editoras internacionais. De outro, um repertório que circula pelo mundo há décadas, mas chega lá fora mais por acaso do que por plano. A mesma pergunta atravessou as duas conversas: nossa música sabe o que fazer com o tamanho que vem conquistando? Para Cris Falcão, da Virgin Music Group, o tamanho do mercado mudou a forma como o país é visto pelas empresas internacionais. O Brasil figura entre os principais players globais e, segundo ela, já no primeiro trimestre teria ultrapassado a Coreia do Sul em sétimo lugar no ranking da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. O país aparecia em oitavo no relatório mais recente da entidade, com crescimento puxado pelo streaming. O mercado brasileiro, no entanto, não aceita bem artistas que chegam com planos genéricos feitos para a AméricaLatina, alerta Mariana Madjarof, da Access Mídia e F/SIMAS. O público nacional exige outra lógica de comunicação, marcada por memes e alto engajamento digital. No mesmo painel, o DJ Papatinho levou a discussão para dentro do estúdio. Contou que, no começo da carreira, buscava referências no mercado americano, até perceber que seu diferencial estava justamente nos elementos brasileiros. O argentino Gustavo Menéndez, da Warner Chappell Music, criticou o uso automático do rótulo “latino” para as músicas da América do Sul e Central. Para o executivo, o termo responde mais a uma lógica dos Estados Unidos do que à diversidade da região. — Vou dizer algo que não sei se é muito popular. Não faz falta ser latino. O que todo mundo quer é ser brasileiro — provocou. No painel “Qual é o Brasil que o mundo escuta?”, o sentido da conversa se inverteu. Marcelo Braga, diretor geral do Grupo Mix de Comunicação, analisou por que essa indústria brasileira ainda exporta sem método. Para o executivo, a questão não é só saber o que a Europa consome do Brasil, mas por quê. E como transformar isso em política cultural e negócio. Até a bossa nova, principal referência do país no exterior, pegou “carona” na diplomacia cultural dos Estados Unidos no pós-guerra, argumentou. O desafio, a seu ver, é organizar a riqueza cultural numa narrativa capaz de gerar exportação, receita e emprego. — Nós somos vários países dentro de um só. Isso joga a nosso favor e contra, porque a gente não consegue unificar o discurso, criar um branding que depois vira negócio — afirmou Braga. No fim das contas, os painéis convergiram para o mesmo ponto: o Brasil já tem o que o mundo quer ouvir. Falta dar o devido valor e decidir como vender.