O acesso a financiamento, inclusive a programas apoiados pelo Estado, e um ambiente mais estável para atrair capital privado estão entre os principais desafios da indústria audiovisual brasileira, segundo especialistas que participaram, nesta quarta-feira (27), de painel no Rio2C, encontro de criatividade, inovação e negócios da América Latina. O evento, que começou na terça (26), vai até domingo (31), no Rio de Janeiro. No painel “O Brasil no Mapa de Investimento”, representantes da indústria audiovisual discutiram novos mecanismos de financiamento e estratégias para ampliar a atração de capital para o setor no Brasil. Estiveram presentes executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Nacional do Cinema (Ancine), da SPCine e da RioFilme. Eles defenderam maior previsibilidade regulatória e integração entre o governo federal e os governos locais. Marconi Viana, gerente de pesquisa e planejamento do BNDES, disse que o banco trabalha para consolidar o audiovisual como indústria, ampliando o acesso do setor a instrumentos de financiamento. "No momento em que o setor passa a se enquadrar como indústria, ele pode recorrer a vários outros tipos de instrumentos de benefício público." Segundo ele, o banco também busca desenvolver modelos capazes de atender empresas menores e projetos em estágio inicial. “O crédito funciona para empresas mais consolidadas, mas ainda existe dificuldade para empresas menores, porque o audiovisual é uma economia baseada em intangíveis”, afirmou. Na mesa, o BNDES relembrou que atua no setor desde 1995 e destacou o programa BNDES FSA Audiovisual, lançado em 2024 em parceria com a Ancine e o BRDE. Viana afirmou ainda que a intenção é transformar os atuais mecanismos em políticas permanentes: “A ideia é que isso deixe de ser uma política de governo e passe a ser uma política de Estado”, disse. Leonardo Edde, presidente da RioFilme, afirmou que o setor precisa construir um ambiente mais estável para atrair capital privado. "A gente precisa gerar segurança para os investidores. Sem diversidade de fontes e planejamento claro, é impossível gerar previsibilidade." Outra mesa realizada nesta quarta-feira (27) abordou os impactos do edital Arranjos Regionais, do Ministério da Cultura e da Ancine. O programa prevê R$ 520 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual e outros R$ 111 milhões em contrapartidas estaduais e municipais, totalizando cerca de R$ 630 milhões em investimentos. Fabiana Trindade, secretária de financiamento da Ancine, disse ao Valor que a iniciativa fortalece a coordenação entre União, Estados e municípios. “A gente deixa de fazer uma política pontual para fazer uma política de Estado realmente, com continuidade e planejamento estratégico”, afirmou. Segundo dados apresentados na mesa, foram selecionados 41 arranjos regionais, envolvendo 24 Estados e 17 municípios. Representando o Ceará, Jade Romero, secretária da Cultura do Estado, afirmou que os investimentos no audiovisual cearense passaram de R$ 9,8 milhões em 2022 para R$ 35 milhões previstos em 2026, considerando os Arranjos Regionais. “O audiovisual deixou de ser uma política pontual para virar um ecossistema permanente, descentralizado e articulado”, disse.