O governo federal anunciou a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual na política industrial da Nova Indústria Brasil (NIB), em um movimento que busca transformar o setor em eixo estratégico de desenvolvimento econômico, inovação e projeção internacional do país. O plano prevê linhas de crédito específicas, políticas de exportação, combate à pirataria, ampliação de fundos públicos e integração do audiovisual à agenda de transformação digital da indústria brasileira. O anúncio foi feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em evento no Rio que reuniu representantes do setor, artistas e integrantes do governo. Segundo o ministro, o objetivo é consolidar uma “política de Estado” para o audiovisual, inserindo o setor definitivamente na estratégia industrial brasileira. Hoje a atividade representa cerca de 0,6% do PIB nacional, mas a expectativa do governo e do setor é elevar essa participação para pelo menos 1,5% nos próximos anos. “O audiovisual não é apenas cultura. É indústria, inovação, tecnologia, emprego e exportação”, afirmou Márcio Elias Rosa. “Cada R$ 10 milhões investidos no audiovisual geram impacto estimado de R$ 12 milhões no PIB.” A política será oficialmente lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 30, no Rio, durante o RIO2C, evento ligado à economia criativa. O programa foi construído ao longo de 2025 por um grupo de trabalho coordenado pelo Mdic, com participação do Ministério da Cultura, Ancine, BNDES, Finep, ApexBrasil, além de representantes da iniciativa privada. O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima, afirmou que a inclusão do audiovisual na NIB ocorreu após articulação do Ministério da Cultura e do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Segundo ele, o setor passou a integrar a chamada “Missão 4” da Nova Indústria Brasil, voltada à transformação digital e inovação tecnológica. O pacote anunciado pelo governo inclui a criação de linhas específicas de financiamento para o setor, com participação de instituições como BNDES, Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O plano também prevê uma política estruturada de exportação do conteúdo brasileiro, ampliação do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), revisão da legislação da Condecine e medidas de combate à pirataria. Além disso, o governo pretende estimular inovação tecnológica, fortalecer a produção nacional e integrar o audiovisual a outros segmentos econômicos, como turismo, moda, design, publicidade, gastronomia, eletroeletrônicos e tecnologia. O Mdic informou ainda que realizará, em junho, uma oficina em Brasília com bancos públicos, agências de fomento e representantes do setor para discutir mecanismos de crédito e financiamento. — Foto: Pixabay