Presidente de produções originais internacionais, programação estratégica e mídia emergente do Disney+, Eric Schrier visitou o Rio para conversar com produtores nacionais e participar de debate no Rio2C Eric Schrier fala sobre atuação no Disney+ durante o Rio2C — Foto: Divulgação/Claudio Andrade RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A plataforma planeja lançar um conteúdo original brasileiro por mês. A estratégia nacional será liderada pela executiva Monica Albuquerque, ex-TV Globo. O Brasil representa 30% das assinaturas do streaming na América Latina. O objetivo é exportar essas produções locais para o mercado internacional futuramente. A Disney+ planeja dobrar suas cem produções internacionais atuais. No país, destacam-se os sucessos de séries como Impuros e Amor da minha vida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Produzindo conteúdo brasileiro para o público brasileiro. Assim que a Disney pretende levar suas produções originais realizadas no Brasil, num segundo momento, para seus assinantes no resto do mundo. É no que acredita Eric Schrier, presidente de produções originais internacionais, programação estratégica e mídia emergente do Disney+. — Minha ambição é que, se fizermos grandes séries locais para o público local, este conteúdo eventualmente vai viajar pelo mundo. Não pode ser algo pensado para fazer sucesso lá fora, esse intercâmbio não é algo que pode ser arquitetado — afirma Schrier em entrevista ao GLOBO num hotel em Ipanema, na Zona Sul do Rio. — Obviamente, nossas produções nos Estados Unidos sempre viajaram para todo mundo, mas hoje também vemos nossos dramas coreanos fazendo sucesso no Brasil, na Europa e nos EUA. Acredito que o mesmo pode acontecer com as produções brasileiras. Antes da entrevista, o executivo americano, de 50 anos, participou de painel no Rio2C, encontro de inovação e criatividade que acontece na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste carioca. No evento, ele revelou plano ambicioso da companhia para lançar um programa original por mês para o público brasileiro, entre séries de dramas, comédias, reality shows e documentários. Schrier lembra que o Brasil representa 30% das assinaturas da plataforma de streaming na América Latina, reforçando a importância do país na indústria audiovisual mundial. — O Brasil é um país enorme, com mais de 200 milhões de habitantes. Tem uma cultura incrível e muito talento disponível, como vimos no reconhecimento recente do cinema brasileiro, com as indicações ao Oscar (para o vitorioso “Ainda estou aqui”, em 2025, e para “O agente secreto”, em 2026). Sinto que este reconhecimento internacional não acontece tanto no campo da TV e do streaming e estamos empolgados para trabalhar nisso — diz o chefão da Disney. Os planos para o Brasil fazem parte de uma estratégia mais ampla que traz Daniel Burman, cultuado diretor por trás de “O abraço partido” (2004), como head de conteúdo original do Disney+ para a América Latina. Para comandar a equipe brasileira, Schrier confirmou a nomeação de Monica Albuquerque, executiva com atuação por 21 anos na TV Globo. Formado em audiovisual pela Universidade do Sul da Califórnia (USC), em Los Angeles, Eric Schrier conta que sua relação com o Brasil nasceu através do cinema, a partir de filmes de cineastas como Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”) e Walter Salles (“Central do Brasil”). Em sua primeira visita ao país, ele fala com orgulho de algumas produções originais nacionais já realizadas pela plataforma, com destaque para as séries “Impuros”, que inicia as filmagens de sua sétima temporada, e “Amor da minha vida”, comédia romântica com Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros cuja segunda temporada estreia em breve. Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros em "Amor da minha vida" — Foto: Divulgação/Laura Campanella Atualmente, sob supervisão de Schrier, o Disney+ produz cerca de 100 obras originais em 25 países espalhados pelo mundo. De acordo com o executivo, seguindo a nova estratégia, a expectativa é dobrar este número muito em breve. Ele lembra que a legenda, por muito tempo, afastou o público americano de produções estrangeiras, mas diz que isso está mudando, como deixou claro o sucesso de “Xógum: A gloriosa saga do Japão”, série de língua não inglesa, com elenco internacional que conquistou 18 estatuetas do Emmy em 2024, incluindo melhor série de drama. — O surgimento do streaming tornou possível que produções naveguem com maior facilidade por todo o mundo. Acho ainda que a pandemia acelerou este processo. As pessoas estavam presas em casa, com menos séries sendo produzidas nos EUA. Então, elas passaram a abrir os olhos para conteúdos de fora — diz. Antes de assumir o posto de chefão de produções originais internacionais do Disney+, Schrier atuou por mais de 20 anos no FX, companhia que, ao lado de John Landgraf, ajudou a transformar um canal básico da TV americana, especializado em reprises de filmes e séries, numa marca autoral responsável por produções como “The Shield”, “Justified”, “The americans”, “O urso” e “Xógum”. Hoje, o FX está na estrutura do grupo Disney e segue parte dos planos do executivo ao lado de marcas como Hulu e ESPN. — A Disney é uma empresa de mais de 100 anos que começou com Walt Disney e um ratinho (Mickey Mouse). Penso que um de nossos superpoderes é que todo mundo conhece a Disney. Se perguntar para uma pessoa na rua, ela vai saber o que é a Disney — diz Schrier. — Existe uma expectativa de entretenimento para crianças e família. As pessoas não associam o nome Disney a produções como “O urso”, “The Handmaid's Tale” ou “American horror story”. Mas, do ponto de vista dos negócios, a Disney não precisa ser apenas para crianças e família. Temos muitas marcas no grupo baseadas em conteúdos mais adultos e vamos usá-las para expandir o apelo da Disney.