Empresas como Farm e Havaianas apostam em adaptação de portfólio, expansão de lojas e brasilidade como diferencial Loja da Farm no bairro nova-iorquino SoHo: EUA representam 70% dos negócios internacionais — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 09:38 Marcas Brasileiras Expandem Presença nos EUA com Estratégias Locais Marcas brasileiras como Farm e Havaianas estão expandindo sua presença nos EUA, apostando na brasilidade e adaptação de portfólio. A Farm, após parceria com a Adidas, ampliou suas operações com lojas e e-commerce. Já a Havaianas, com 8 mil pontos de venda, foca em design autêntico e parcerias estratégicas. Marcas como Ofner e Triton Yachts também estão explorando o mercado americano, com planos de expansão contínua. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O que era para ser apenas uma parceria entre a Adidas e uma marca com DNA brasileiro para a Copa do Mundo no Brasil em 2014 se transformou numa grande oportunidade de negócio. A colaboração assinada pela gigante alemã com a Farm Rio foi um sucesso, com peças vendidas em todos os países onde a Adidas atua. — Não tínhamos dimensão da aderência de nossas estampas fora do Brasil — diz Fabio Barreto, CEO da Farm Rio Internacional. — Descobrimos que tínhamos um produto desejado, mas faltava estrutura para sustentar a demanda. Uma coleção com dez peças exclusivas para a varejista de moda Anthropologie marcou em 2017 a chegada da fabricante carioca ao varejo dos Estados Unidos. Foi o impulso para a estruturação da expansão. — O mercado americano é maduro e competitivo. Estudamos no detalhe como a marca iria se posicionar, faixa de preço adequada e como ampliar a percepção de valor do produto — revela Barreto. Seis anos depois da abertura da primeira loja no bairro nova-iorquino SoHo, a Farm conta com sete unidades físicas, está nas principais lojas de departamento e tem no e-commerce seu principal canal, com 50% das vendas. — Os EUA representam 70% dos negócios internacionais e há espaço para abrirmos de três a cinco lojas por ano até 2032. Segundo Felipe Wasserman, professor de comportamento de marketing e vendas da ESPM, “o Brasil é mais conhecido do que pensa, mas não tem uma estratégia estruturada de marca como país”. — As empresas que conseguirem externalizar com propriedade o DNA brasileiro terão mais chances de sucesso. A penetração no mercado dos EUA está só começando. 8 mil pontos de venda Sinônimo de Brasil, a Havaianas foi eleita o produto de moda mais desejado em 2025 pelo The Lyst Index. — Somos fiéis ao design que nos tornou icônicos, nosso grande diferencial é a autenticidade — afirma Sandro Ribeiro, presidente da Havaianas América do Norte. — Realizamos uma curadoria de portfólio minuciosa para o consumidor americano, alinhando nossos produtos às tendências, adaptando cores, estampas e modelos para garantir que a brasilidade seja relevante e desejável em cada região. Presente nos EUA desde os anos 2000 com foco no varejo multicanal e lojas de departamento, a Havaianas soma 8 mil pontos de venda e deve avançar mais. — Firmamos parceria com o Eastman Group para distribuição exclusiva a fim de escalar as vendas em canais estratégicos para todos os estados. A mudança na sazonalidade do novo modelo de negócio gerou uma expansão de 161,4% no volume, alcançando 1,2 milhão de pares no primeiro trimestre de 2026. Foi com o propósito de afinar a logística que a Ofner criou a Ofner América, que desde 2022 responde pelas vendas no mercado americano. — Entramos de maneira tímida, em 2017, via distribuidor, com apenas 2 mil panetones. Cinco anos depois, já eram 20 mil e em 2025, 120 mil. Trabalhamos com distribuidores, supermercados, e-commerce e lojas próprias temporárias — revela o CEO Denilson Moraes. — O mercado americano responde por 2% do faturamento da companhia. A ideia é triplicar a participação em três anos. Não há um levantamento de quantas marcas brasileiras estão presentes no varejo americano, o que se sabe é que o interesse continua alto. De acordo com o Relatório do Varejo 2025, realizado pela Adyen, provedora de tecnologia de pagamentos, 21% das empresas nacionais planejam expandir suas operações para novos mercados em 2026 — dessas, 41%, para os EUA. O diferencial encontrado pelo estaleiro paranaense Triton Yachts, que atua nos EUA com a marca Hanover, foi a escolha de um representante local — conhecedor da legislação e das preferências do consumidor americano —, aliada à customização dos barcos vendidos sob encomenda. Os EUA respondem por 45% da produção anual, estimada em 55 unidades em 2026. — Personalizamos desde a pintura e material de acabamento até a configuração do projeto. Um barco não sai igual ao outro — diz o diretor Allan Cechelero. Flórida como destino A Flórida é o destino preferido por 70% das marcas brasileiras, seguida de Texas e Califórnia, segundo mapeamento da ApexBrasil. É o chamado cinturão do sol, caminho percorrido pela marca de moda carioca Dress To, que em 2021 fez as primeiras vendas. Hoje está presente em mais de 40 estados e 320 pontos de venda, com 20% do mix composto por produtos exclusivos. — Abrimos a primeira loja própria em agosto de 2025, em Coral Gables. A ideia é inaugurar mais três até 2027, entre Miami, Texas e Califórnia — revela o CEO Rodrigo Braga.