Medida agora deve ir para comissão especial; presidente da Câmara vê apelo popular para proposta ser aprovada Reunião da CCJ da Câmara — Foto: Divulgação/Pablo Valadares/Câmara RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 13:40 Câmara Aprova PEC para Reduzir Maioridade Penal para 16 Anos A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a admissibilidade de uma PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, por 44 votos a 18. A proposta, que agora segue para uma comissão especial, é apoiada pela oposição, enquanto o governo tenta bloqueá-la. A medida precisa ser aprovada pelo Congresso, sem necessidade de sanção presidencial. A discussão sobre a maioridade penal voltou a ganhar força no cenário político, com forte apelo popular por medidas mais duras na segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, por 44 a 18, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O projeto tem o apoio da oposição, e o governo tenta atuar contra. As bancadas do governo e das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede orientaram contra o texto. Por sua vez, oposição, PL e a federação União-PP orientaram a favor. Veja como cada deputado votou. Apresentada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), a PEC estabelece que “a maioridade é atingida aos dezesseis anos”, idade a partir da qual a pessoa passaria a ser considerada penalmente imputável. Na prática, a redução da maioridade penal permite que adolescentes de 16 e 17 anos sejam responsabilizados criminalmente como adultos. Agora, a PEC vai ser encaminhada para a análise de uma comissão especial. Líderes partidários dizem que há um acordo para a proposta ser relatada na nova comissão pelo deputado Mendonça Filho (PL-PE) e o colegiado deve ser presidido pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA). A proposta ainda precisa passar por votações no plenário da Câmara e pelo Senado para começar a valer. Como muda a Constituição, ela não depende de aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode ser promulgada pelo Congresso. A Câmara já aprovou, na gestão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em 2015, uma outra PEC que diminui a idade da maioridade penal, mas a proposta foi engavetada pelo Senado e nunca chegou a sair do papel. Interlocutores do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no entanto, avaliam que o momento atual é outro e que há uma maior apelo popular para medidas consideradas mais duras na área de segurança, o que pode viabilizar o avanço da proposta. A votação pela CCJ inicialmente estava prevista para ontem, mas foi adiada depois que a ordem do dia, ou seja, a votação no plenário da Câmara teve início. Regimentalmente, comissões não podem realizar votações enquanto há outras matérias sendo apreciadas em plenário. A votação na CCJ da Câmara representa a primeira etapa da tramitação da proposta na Casa, já que cabe à comissão analisar se o texto atende aos requisitos constitucionais para seguir adiante, sem discutir ainda o mérito da matéria. O que muda? Atualmente, menores de 18 anos não respondem perante a Justiça criminal, mas estão sujeitos a medidas socioeducativas. Ou seja, com a mudança, jovens nessa faixa etária passariam a ser processados e julgados com base na legislação penal aplicada atualmente somente aos maiores de 18 anos. No parecer apreciado pela comissão, de autoria do deputado Coronel Assis (PL-MT), há o argumento de que a redução da maioridade penal não viola cláusulas pétreas da Constituição nem compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. O que diz quem defende a PEC? Segundo o relator na CCJ, a definição da idade de imputabilidade penal pode ser alterada por meio de emenda constitucional e cabe ao Congresso Nacional decidir sobre o mérito da proposta. O deputado também rejeitou o entendimento defendido por parlamentares da esquerda de que a inimputabilidade penal dos menores de 18 anos constitui uma garantia individual protegida contra alterações constitucionais. Para o relator, a Constituição não impede que o Legislativo rediscuta a idade mínima para responsabilização criminal por meio de uma PEC. A análise da matéria ocorre em meio ao ressurgimento da discussão sobre maioridade penal no debate político nacional. Defendida majoritariamente por setores da direita, a proposta voltou a ganhar espaço nos últimos meses e passou a ser utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, como uma das principais bandeiras de sua pré-campanha. Nesse contexto, uma eventual aprovação da admissibilidade da PEC também amplia a pressão sobre o governo federal na área da segurança pública. O que diz quem é contra a PEC? Historicamente contrário à redução da maioridade penal, o PT tem buscado barrar o avanço da proposta no Congresso, mas enfrenta dificuldades diante do apoio da oposição e de parte dos partidos de centro à medida. Diante disso, o Palácio do Planalto defende que os deputados da base do governo votem contra a PEC. O tema vem sendo debatido pelo núcleo de governo e é considerado delicado por vir à tona às vésperas da eleição, enquanto a gestão almeja uma postura mais firme em temas de segurança pública. O Planalto busca afastar a imagem de tolerância a criminosos e calibra os movimentos políticos para evitar passar a imagem de que Lula defende bandidos. A pauta vem sendo discutida diretamente pelo Palácio do Planalto, sem interferência do Ministério da Justiça. Historicamente, o PT se posiciona contra a redução da maioridade penal por acreditar que a alteração não resolve a violência e fortalece organizações criminosas. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, no entanto, já se mostrou aberto à discussão. No final de maio, em entrevista ao GLOBO, afirmou que o tema "merece um reexame". — Toda pauta normativa que responsabiliza indivíduos por cometimentos de atos graves pode merecer um reexame. Se não, a gente fica num debate superficial. É contra ou a favor? Não é isso. Eu acho que nós não podemos tratar de modo exatamente idêntico pessoas com grau de maturidade diversa, mas também entendo que a sociedade e o Parlamento têm o direito de debater quais as características específicas dessa graduação — disse o ministro.