A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda —por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita —quase sempre em desvantagem. O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Haverá boas explicações para a dificuldade que o partido e seus movimentos encontram para mobilizar multidões em torno de agendas menos ou mais ambiciosas. Entre elas, a proximidade com o governo federal ocupado pela coalizão encabeçada pelo PT, ensejando que lideranças sociais e ativistas partidários fossem sugados pela máquina pública.

A verdade é que desde a vitória de Bolsonaro, em 2018, a reação extraparlamentar progressista às ameaças à democracia e aos direitos fundamentais não se deu prioritariamente nas ruas. As esquerdas assumiram a judicialização como estratégia principal.