Nos últimos anos, uma parte da esquerda voltou a recuperar uma velha ideia: a de que as questões relacionadas com género, sexualidade ou identidade desviam a atenção daquilo que realmente importa, a luta de classes. Recentemente, esta posição reapareceu em Portugal através das críticas da escritora Ana Bárbara Pedrosa à autodeterminação de género e à forma como os debates em torno da identidade ocupam espaço no campo progressista.O argumento não é novo. A ideia de que as chamadas "questões fracturantes" afastam a esquerda das preocupações materiais da população tem sido repetida em diferentes países e contextos. Continua, no entanto, a partir de uma oposição falsa.A primeira pergunta que importa fazer é simples: quem é, afinal, a classe trabalhadora?Por vezes, quando falamos dela, parece existir uma imagem implícita: um trabalhador industrial, homem, heterossexual, branco, inserido numa estrutura sindical tradicional. Essa figura existiu e continua a existir. Mas há muito que deixou de representar a totalidade daqueles que vivem da venda do seu trabalho. A classe trabalhadora contemporânea é também feminina, racializada, migrante e LGBT+. Ignorar este facto não fortalece a análise de classe. Empobrece-a.
Que raio é classe trabalhadora e pessoas LGBT?
A classe trabalhadora contemporânea é também feminina, racializada, migrante e LGBT+. Ignorar este facto não fortalece a análise de classe. Empobrece-a.









