Após 54 dias, uma das maiores greves estudantis da Universidade de São Paulo nas últimas décadas chegou ao fim sem conquistar as principais reivindicações que mobilizaram milhares de alunos. A reitoria atravessou a paralisação sem ceder nos pontos centrais, amparada em uma estratégia que combinou diálogo restrito, concessões consideradas insuficientes e o desgaste progressivo do movimento.
Iniciada em 14 de abril, a greve alcançou praticamente todas as 43 unidades da USP. A mobilização nasceu em meio ao debate sobre a criação de uma gratificação complementar destinada a docentes, mas deslocou o eixo para as condições de permanência dos estudantes na universidade.
A principal reivindicação passou a ser o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, o Papfe. Atualmente limitado a 885 reais, o auxílio é destinado a alunos em situação de vulnerabilidade e foi considerado insuficiente pelos grevistas diante do custo de vida em São Paulo. O movimento chegou a defender um valor equivalente ao salário mínimo paulista, mas, ao longo das negociações, reduziu a proposta para 1.096 reais mensais.
A reitoria ofereceu inicialmente a elevação do benefício para 912 reais, valor correspondente à recomposição inflacionária acumulada desde 2022. Também anunciou possíveis melhorias no Conjunto Residencial da USP e a ampliação dos canais de diálogo. Para os estudantes, porém, as medidas ficaram muito aquém das necessidades apresentadas.













