A presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Bianca Borges, rebateu as críticas feitas pelo reitor da USP, Aluísio Segurado, ao movimento estudantil que paralisou a universidade por 54 dias e negou que a greve tenha sido motivada por interesses eleitorais, como afirmou o dirigente em entrevista à Folha [veja acima].
A paralisação, iniciada em abril e encerrada na segunda-feira (8), teve como principal reivindicação o aumento dos auxílios de permanência estudantil. Na semana passada, Segurado afirmou que a greve extrapolou as pautas universitárias e passou a incorporar bandeiras sem relação direta com a gestão da instituição, além de sugerir que o movimento tinha motivações eleitorais ligadas à disputa política no estado.
"É uma tentativa de descredibilizar o movimento estudantil", afirma Borges. Segundo ela, a greve teve caráter político, mas não eleitoral. "Defender mais investimento em permanência estudantil é uma escolha política. Disputar o orçamento da universidade é uma escolha política. O que não existe é uma intenção de apoiar candidato A ou B."
A dirigente também rejeita a interpretação do reitor sobre a marcha de estudantes ao Palácio dos Bandeirantes, realizada em maio. Segundo Segurado, o ato indicava que as negociações na USP dificilmente encerrariam a paralisação. Para Borges, a mobilização ocorreu justamente porque os estudantes não encontravam espaço para discutir suas reivindicações com as reitorias das universidades estaduais paulistas.











