Irã bombardeia Israel pela primeira vez durante cessar-fogo, e retaliação pode impactar relação entre israelenses e norte-americanos, afirma Guga Chacra em newsletter especial O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visita a cidade de Dimona, atingida por mísseis do Irã — Foto: X.com/Benjamin Netanyahu RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 09:00 Netanyahu entre retaliação ao Irã e pressão de Trump por cautela Benjamin Netanyahu enfrenta um dilema complexo: ordenar retaliação a ataques iranianos ou seguir ordens de Donald Trump para não reagir, evitando impacto negativo nas relações EUA-Israel. O Irã bombardeou Israel após cessar-fogo de dois meses, pressionando Netanyahu entre a crítica interna e a necessidade de manter a aliança com os EUA, crucial para a segurança israelense e estabilidade econômica global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Benjamin Netanyahu precisa tomar uma das decisões mais complexas de toda a sua carreira como primeiro-ministro, que soma quase duas décadas contando todos os seus mandatos. Talvez, quando esta newsletter chegar ao seu e-mail, já saibamos qual rumo o premier decidiu seguir. Resumindo, ordenará uma retaliação israelense aos ataques iranianos deste domingo ou respeitará as ordens de Donald Trump para não responder? Ameaça de Trump – O presidente dos Estados Unidos foi muito claro ao dizer em uma série de entrevistas que é ele, e não Netanyahu, quem dá as ordens e que Israel não deve responder ao Irã. Retaliações israelenses poderiam levar a uma escalada que acabe de uma vez por todas com a possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã. Pior, pode levar a uma retomada dos confrontos militares em meio à Copa do Mundo e às vésperas de sua festa de 80 anos e das celebrações pelos 250 anos da independência norte-americana. Além, claro, de poder levar mais uma vez à alta no preço do barril de petróleo, com consequências negativas para a economia global. Submisso – Ao mesmo tempo, o Irã bombardeou Israel pela primeira vez em dois meses de cessar-fogo. É humilhante internamente para Netanyahu não responder. Tanto integrantes de seu governo quanto opositores o acusam de estar abandonando a soberania israelense e ter se tornado um vassalo dos EUA — esquecem, talvez, que os norte-americanos contribuem há décadas com bilhões de dólares todos os anos para proteger Israel e é natural que Washington imponha seus interesses. Alternativas – O dilema de Netanyahu, portanto, é bater de frente com Trump, colocando em risco suas relações com seu maior e mais fundamental aliado no mundo, ou não responder ao Irã e se tornar alvo de ainda mais críticas internas em Israel. No primeiro caso, as consequências de longo prazo podem ser catastróficas para os israelenses. A imagem de Israel não para de piorar nos EUA: já é negativa entre os democratas e tem piorado entre os republicanos. Desrespeitar Trump poderia ser o golpe final. Mas não revidar certamente levaria a uma queda de popularidade de Netanyahu entre os israelenses, que adotam uma postura bélica contra o Irã. Diferente de Gaza – Alguns podem argumentar que Netanyahu, no ano passado, acatou as ordens de Trump e aceitou um cessar-fogo com o Hamas. O apoio do norte-americano quase integral a Israel na guerra em Gaza perdeu força depois que os israelenses bombardearam o Catar, um aliado norte-americano. Naquele caso, no entanto, o primeiro-ministro teve uma narrativa de vitória porque os reféns foram libertados. Desta vez, Netanyahu não terá nada para apresentar aos israelenses. Contexto – Vale lembrar que o ataque do Irã aconteceu depois de Israel bombardear Dahieh, que é o reduto xiita e de forte presença do Hezbollah na zona metropolitana de Beirute. Na semana passada, o Irã já havia dado o recado a Trump de que escalaria o conflito caso Israel bombardeasse a capital libanesa. O presidente dos EUA ordenou a Netanyahu que não bombardeasse. Inicialmente, o premier se curvou ao republicano, mas acabou sendo criticado pelos opositores e aliados. No fim, bombardeou a capital libanesa neste fim de semana, levando aos ataques iranianos ao Norte de Israel. Recado iraniano – O ataque do Irã, portanto, visa incluir o conflito entre Israel e o Hezbollah no âmbito maior da guerra entre os iranianos e os norte-americanos. Basicamente, deram o recado para Washington de que não haverá acordo enquanto a situação no Líbano não estiver resolvida. O terceiro acordo de cessar-fogo fictício entre os governos libanês e israelense claramente é visto como insuficiente por Teerã. Acordo de Trump – Para Trump, a guerra já fracassou e o menos grave dos cenários é um acordo que reabra o Estreito de Ormuz e também alguma forma de restrição ao enriquecimento de urânio do Irã. A retomada do conflito não traria qualquer vantagem. Israel, por outro lado, ainda enxerga o Irã como uma ameaça existencial e sabe que o regime iraniano ficou mais empoderado depois da desastrada decisão de Netanyahu e dos EUA de levar adiante uma guerra. Em breve, saberemos qual rumo tomará o líder israelense.