Enfrentar Washington não será uma tarefa simples em um momento de enorme isolamento internacional de Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Libaneses caminham pelo mercado histórico de Nabatiye, centro econômico no sul do Líbano, destruído por ataque de Israel — Foto: Mahmoud Zayyat/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 07:10 Desacordo entre Trump e Netanyahu sobre Irã acirra tensões internacionais Trump e Netanyahu estão em desacordo devido ao conflito no Irã, com Israel se opondo ao acordo negociado por Trump que pode fortalecer Teerã e o Hezbollah. Enquanto Trump busca um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, Netanyahu prioriza os interesses israelenses e mantém uma postura firme contra o Hezbollah. Esta divergência ocorre em um contexto de crescente isolamento internacional de Israel e proximidade das eleições israelenses. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O maior obstáculo para o avanço nas negociações e a manutenção do cessar-fogo entre os EUA e o Irã é o conflito entre Israel e o Hezbollah. As disputas entre os dois não serão solucionadas pelo acordo, aumentando a possibilidade de a trégua não ser respeitada. Basicamente, o grupo apoiado pelos iranianos não irá se desarmar e Israel não se retirará do sul do Líbano. Contra – Israel é abertamente contrário ao acordo negociado por Donald Trump. Afinal, ele pode empoderar o regime de Teerã e fortalecer o Hezbollah, mantendo uma ameaça aos israelenses. O objetivo de Benjamin Netanyahu, de seus aliados e dos seus principais opositores era o prosseguimento da ofensiva contra os iranianos, com o objetivo de enfraquecer o regime e forçar uma capitulação, tanto na questão nuclear quanto na dos mísseis balísticos e no apoio ao Hezbollah. Correção – O problema para os israelenses é que Trump avalia corretamente que o Irã não irá capitular e que seria melhor neste momento um acordo de correção, no qual o regime de Teerã concorda em reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, voltando ao status quo de antes da guerra. Isto é, quando não havia o bloqueio nem o fechamento da passagem que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Interesses distintos – Basicamente, Netanyahu leva em consideração os interesses israelenses e Trump leva em consideração os interesses norte-americanos. É uma mudança em relação à decisão de iniciar a guerra. Quando decidiu bombardear o Irã, o presidente dos EUA levou mais em consideração os interesses israelenses. Diante do fracasso na tentativa de derrubar o regime ou forçar uma capitulação, decidiu dar uma guinada e corrigir o rumo. Questão de Israel – Netanyahu até aceitou encerrar os ataques ao Irã no cessar-fogo em abril. Mas sempre foi relutante em suspender os bombardeios contra o Líbano. Para Israel, o Hezbollah é uma questão israelense e o país não pode se curvar às decisões de Trump se estas forem contrárias a seus interesses. Afinal, o grupo opera a partir da fronteira com o Líbano e ataca o norte de Israel. Equilíbrio – O presidente dos EUA até concorda que se trata de um problema israelense. Mas o prosseguimento dos ataques de Israel ao Líbano pode atrapalhar as negociações com Teerã. Portanto, Trump seguirá pressionando Netanyahu. O líder israelense precisará se equilibrar entre evitar choques com o presidente norte-americano e, ao mesmo tempo, não ser chamado de vassalo de Washington pelos seus opositores e aliados em Israel. Imagem – Enfrentar Washington não será uma tarefa simples em um momento de enorme isolamento internacional e piora da imagem de Israel em todo o Ocidente, incluindo nos EUA. Além disso, os israelenses dependem dos bilhões de dólares do contribuinte norte-americano em ajuda militar anualmente. Eleição – Conforme escrevi ontem, Netanyahu inevitavelmente entrará em choque com Trump. É improvável que se curve a todas as demandas com a proximidade das eleições israelenses. Pode significar a sua derrota eleitoral. A sociedade israelense como um todo se opõe ao acordo entre Washington e Teerã porque será prejudicial para Israel, embora não necessariamente o seja para os EUA. Amanhã vou tratar da possibilidade de o conflito entre Israel e o Hezbollah ficar contido no sul do Líbano.