Benjamin Netanyahu quer usar lobby nos EUA para atacar termos do memorando, enquanto meio político israelense trata conversas como 'desastre' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caminões israelenses trafegam pelos escombros da vila libanesa de Taybeh; bandeira de Israel é vista em prédio em ruínas — Foto: Jalaa MAREY / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 15:14 Israel critica memorando EUA-Irã e busca apoio no Congresso dos EUA Israel se posiciona contra o memorando entre EUA e Irã, considerado desastroso pelo governo de Netanyahu. O premiê israelense planeja usar seu lobby nos EUA para influenciar as negociações, buscando apoio de aliados no Congresso. A oposição israelense critica o acordo, que não atende aos objetivos de segurança de Israel. O cenário político interno se acirra, com divisões sobre a continuidade da guerra e as ações na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto EUA e Irã confirmam, de maneira oficial, o início das negociações sobre um acordo mais amplo para encerrar a guerra no Oriente Médio e lidar com temas espinhosos de segurança e economia, um ator que não estará na Suíça promete ser um entrave nos próximos dois meses de conversas. Israel rejeita o memorando de entendimento divulgado na quarta-feira — criticado por membros do governo e da oposição —, e o premier Benjamin Netanyahu, acuado pelas pesquisas de opinião a poucos meses das eleições, deve usar aliados políticos em Washington, segundo a rede CNN, para ao menos tentar moldar as negociações a favor de seu país. Netanyahu lançou uma ofensiva em solo americano imediatamente após a divulgação do acerto entre EUA e Irã. De acordo com a CNN, o plano do premier é fazer com que figuras conhecidas com espaço na mídia alinhadas a Israel tentem influenciar o discurso público a seu favor, atacando pontos específicos do memorando. Um deles é o fundo para a reconstrução do Irã, estimado em US$ 300 bilhões e que contará com a participação de “atores regionais”, já na mira dos conservadores. Na quarta-feira, Mark Levin, podcaster e comentarista da rede conservadora Fox News, afirmou que os EUA deveriam ter rejeitado qualquer demanda financeira de Teerã, dizendo que isso era “muito absurdo para entender”. “Independentemente de como esse fundo secreto for arrecadado ou distribuído, aqui estamos nós, nos comprometendo a ajudar a reconstruir o regime terrorista que presumivelmente acabamos de destruir. Além disso, eu pensava que tínhamos atacado estruturas e alvos militares, não locais civis”, escreveu na rede social X. O também comentarista da Fox News Brian Kilmeade, conhecido por suas posições pró-Israel, questionou na quarta-feira se “as pessoas que negociaram isso informaram o presidente [Donald Trump] sobre o conteúdo da página e meia que ele lerá publicamente na sexta-feira”. Sua convidada, Rebeccah Heinrichs, do neoconservador Hudson Institute, concordou, e disse “que este memorando de entendimento é pior do que não tê-lo”. Guinada anti-israel A tarefa não é simples. A opinião pública americana é majoritariamente contra a guerra — uma sondagem da própria Fox News mostrou que 64% dos entrevistados reprovam a forma como Trump conduziu o conflito — e até mesmo a Casa Branca pareceu aliviada com o memorando, a alguns meses das eleições legislativas com o presidente republicano em seu mais baixo nível de aprovação no segundo mandato. Segundo uma pesquisa NPR/PBS News/Marist divulgada ontem, apenas 36% têm uma visão positiva de Trump. Por sua vez, as opiniões sobre Israel nos EUA mudaram para pior em tempos recentes, especialmente por causa da guerra em Gaza, que deixou até agora mais de 73 mil mortos no enclave palestino, segundo fontes do Ministério da Saúde local. Uma pesquisa divulgada em abril pelo Pew Research Center indicou que 60% dos americanos têm uma opinião muito ou algo desfavorável de Israel, um aumento de 20 pontos percentuais desde 2022. Além disso, muitos afirmam que a “Operação Fúria Épica” foi um conflito travado em nome do governo israelense. Uma pesquisa ABC News/Washington Post/Ipsos divulgada em maio indica que 52% dos americanos acreditam que Israel teve demasiada influência sobre a decisão de Trump de atacar o Irã. Neste cenário, a percepção geral de que a negociação com os iranianos está sendo influenciada por Netanyahu não seria exatamente positiva para o presidente republicano. Em outra via, Netanyahu pretende, de acordo com a CNN, usar o poderoso lobby pró-Israel para que aliados no Congresso dos EUA tentem influenciar os termos finais de um acordo com o Irã. Mais uma vez, a tarefa não será simples, dado o controle de Trump sobre os republicanos. O senador Lindsey Graham, por exemplo, um forte apoiador de Israel, já deu seu aval ao memorando de entendimento. “Após essa discussão, é minha opinião que a assinatura do MOU (Memorando de Entendimento) será benéfica para os Estados Unidos, na medida em que o Estreito de Ormuz começará a se abrir, e as hostilidades com o Irã cessarão”, escreveu no X. Netanyahu desafiador O memorando entre EUA e Irã, firmado no momento mais tenso desde o anúncio de um cessar-fogo no início de abril, foi tratado como um desastre completo por Israel, seja por governistas, seja pela oposição. Ali, o argumento que reina é que os objetivos do conflito — eliminar a capacidade nuclear e os arsenais de mísseis balísticos do Irã e a mudança de regime — passaram longe de serem atingidos, e que os americanos quiseram se livrar de qualquer forma da guerra, sem ouvir os israelenses. “Israel não está subordinado aos EUA. Somos um país independente e soberano”, disse na segunda-feira, em comunicado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. “Não somos parceiros deste acordo, que não protege a nossa segurança.” Em editorial, o jornal Times of Israel chamou o plano preliminar de “capitulação desastrosa”. Yair Lapid, líder da oposição, sugeriu que o premier permitiu que o país se tornasse um “protetorado completo”. Benny Gantz, ex-premier e rival de Netanyahu, disse que o “acordo emergente com o Irã parece um fracasso estratégico”. Naftali Bennett, outro que busca retornar ao poder, acusou o atual chefe de governo de mentir ao país. A inclusão de uma trégua no Líbano e a garantia de integridade territorial do país no plano de paz foi outro golpe: os israelenses ocupam cerca de 20% do território libanês, sob alegação de criar uma “zona-tampão” na fronteira, e não estão dispostos a interromper a ofensiva contra o grupo xiita Hezbollah. Desde o anúncio, no domingo, do memorando de entendimento, que inclui o fim das hostilidades no Líbano por exigência do Irã, tem ocorrido bombardeios israelenses diários no país, juntamente com ataques do Hezbollah na zona ocupada. Ontem, Netanyahu reafirmou que não vai ordenar a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, o que pode constituir uma violação do memorando e aumentar as tensões com Washington — Trump tem feito pesadas (e incomuns) críticas públicas ao aliado, a quem já chamou de “completamente louco”, e cobrou que ele seja “mais responsável” com o Líbano na cúpula do G7 esta semana. Em evento no norte de Israel, Netanyahu prometeu “restaurar a segurança no norte”, acrescentando que “isso requer manter a faixa de segurança no sul do Líbano, e isso requer que não nos retiremos enquanto as necessidades de segurança de Israel o requererem”. Oposição na frente Pesquisas recentes mostram que a maioria dos israelenses era favorável à continuação da guerra contra o Irã, assim como da ofensiva contra o Hezbollah no Líbano, temas que serão, ao lado da situação em Gaza e na Cisjordânia, centrais nas eleições previstas para o final de outubro. Na quarta-feira, uma sondagem do Canal 13 apontou que, se a votação fosse hoje, o bloco de oposição conquistaria 59 cadeiras no Parlamento, uma a menos do que o necessário para formar um Gabinete, contra 51 dos governistas. Os partidos árabes, que não se comprometeram a integrar um futuro governo, teriam 10 cadeiras.
Sem lugar à mesa nas negociações, Israel promete ser desafio a acordo entre Irã e EUA
Benjamin Netanyahu quer usar lobby nos EUA para atacar termos do memorando, enquanto meio político israelense trata conversas como 'desastre'











