Analistas israelenses avaliam que a escalada militar pode pressionar Teerã nas negociações, mas alertam para o risco de ampliar o conflito regional e dificultar os esforços diplomáticos da Casa Branca Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — Foto: ABIR SULTAN / POOL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 12:27 Escalada entre Israel e Irã desafia negociações e diplomacia dos EUA A retomada dos ataques entre Israel e Irã reflete a preocupação de Netanyahu com o acordo que os EUA negociam com Teerã, ameaçando limitar a ação israelense contra o Hezbollah. Analistas sugerem que a escalada pode pressionar o Irã nas negociações, mas também ampliar o conflito regional, dificultando esforços diplomáticos dos EUA. Netanyahu busca ganhos políticos mostrando independência de Trump, mas enfrenta riscos estratégicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A retomada dos confrontos entre Israel e Irã expõe a preocupação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com o acordo que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta negociar com Teerã. Para analistas israelenses, a escalada militar pode servir para aumentar a pressão sobre a República Islâmica nas negociações e dificultar um entendimento que, na visão de Israel, poderia limitar sua capacidade de agir contra adversários como o Hezbollah, grupo armado pró-iraniano que domina o Líbano. Netanyahu teme que um eventual acordo entre Washington e Teerã acabe restringindo a liberdade de ação israelense na região. Se a troca de ataques entre Israel e Irã corre o risco de evoluir para uma guerra em larga escala, ela também pode tornar mais difícil a concretização de um pacto mais amplo defendido pela Casa Branca. Alguns analistas israelenses avaliam que alguns dias de ataques podem fortalecer a posição de Israel nas negociações ao impor novos custos ao Irã. — Agora tudo depende do que os iranianos fizerem — afirma Eyal Hulata, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Israel e atualmente pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies. Segundo Hulata, a postura triunfalista adotada por Teerã após o conflito — ao afirmar que venceu a guerra contra os EUA e Israel por ter resistido aos ataques e por assumir o controle do Estreito de Ormuz — esconde os danos significativos sofridos pelo país. — Presumo que eles queriam demonstrar força, não passar algumas semanas vendo caças israelenses sobrevoando seus céus. Eles parecem fortes, mas isso não significa que sejam fortes — destaca. Cálculo político A retomada dos ataques também trouxe ganhos políticos imediatos para Netanyahu. A ofensiva mostrou a sua base eleitoral que ele está disposto a desafiar Trump, que no domingo criticou Israel pelos bombardeios nos arredores de Beirute e, após a resposta iraniana com mísseis, defendeu que os israelenses agissem com moderação. Demonstrar independência em relação ao presidente americano tornou-se especialmente importante para Netanyahu, que enfrenta uma disputa eleitoral difícil pela reeleição e aparece atrás nas pesquisas de opinião. A relação entre os dois líderes também atravessa um momento delicado. Apenas uma semana antes, Trump havia repreendido duramente o premier israelense em uma conversa telefônica marcada por irritação. Posteriormente, o presidente americano confirmou ter chamado Netanyahu de "louco". Sem boas opções Apesar dos possíveis benefícios de curto prazo, especialistas alertam que a escalada pode trazer consequências negativas para Israel. — Não há boas opções aqui — diz Danny Citrinowicz, ex-oficial da inteligência militar israelense especializado em assuntos iranianos. Segundo ele, se Trump permitir que Israel amplie a ofensiva, o Irã poderá expandir sua resposta por meio de aliados regionais. Além do Hezbollah, no Líbano, e dos houthis do Iêmen — que lançaram dois mísseis contra Israel e ameaçaram embarcações ligadas ao país no Mar Vermelho — milícias xiitas no Iraque também podem ser arrastadas para o conflito. Por outro lado, se a Casa Branca pressionar Israel a recuar, isso poderá consolidar uma dinâmica estratégica que o Irã busca estabelecer há anos: a de que ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano possam ser respondidos diretamente por ações iranianas contra Israel. — E a realidade estratégica será pior para Israel — conclui Citrinowicz.