Sequência da ofensiva no Líbano é um dos poucos consensos hoje na cena política israelense, mas pressão vinda de Washington parece ter sido decisiva, por enquanto Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em entrevista coletiva — Foto: ABIR SULTAN / POOL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 13:51 Netanyahu sob pressão: críticas após ceder aos EUA sobre Beirute Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, enfrenta críticas intensas após ceder à pressão dos EUA, liderados por Donald Trump, para não bombardear Beirute. A decisão, vista como submissão a Washington, gerou acusações de que Netanyahu transformou Israel em um "protetorado" americano, abalando a soberania nacional. Enquanto aliados e rivais condenam a postura, a maioria dos israelenses ainda apoia a ofensiva contra o Hezbollah. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de aceitar a ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, para não bombardear a capital libanesa, Beirute, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, se tornou alvo de rivais e até aliados. Para eles, ao “ceder” a Trump, ele pôs em risco a ofensiva contra o Hezbollah — apoiada pela maioria dos políticos, comentaristas e pela população — e a própria soberania nacional: nas palavras de um ex-premier, Netanyahu transformou Israel em um “protetorado” de Washington. Na segunda-feira, em meio à intensificação dos combates no Líbano, e às ameaças de bombardeios avassaladores contra o distrito de Dahiyeh, a base do Hezbollah no sul de Beirute, o Irã anunciou que as conversas com os EUA sobre o fim da guerra estavam suspensas, condicionando o diálogo a uma trégua na frente libanesa e em Gaza. Em questão de horas, Trump ligou para Netanyahu e intermediários do grupo político-militar, exigindo que o Hezbollah interrompesse seus ataques contra o norte israelense e, em troca, que Beirute fosse poupada. Segundo o portal Axios, citando fontes da Casa Branca, a conversa do americano com o premier foi marcada por palavrões, ameaças e alegações de que, por causa da guerra atual, “todo mundo odeia Israel”. Na rede social Truth Social, o republicano confirmou o “acordo”, e relatou que o diálogo com Teerã havia sido retomado, algo confirmado por seu secretário de Estado, Marco Rubio mas ainda não pelos iranianos. Até o momento, Beirute não voltou a ser atacada, e Netanyahu garantiu que não interromperá a invasão no sul do Líbano, destinada à criação de uma “zona tampão” na fronteira, apontada como uma violação da integridade territorial libanesa. Mas a confirmação de que havia cedido aTrump desencadeou uma onda de críticas. Para muitos, apesar da aliança econômica, política e militar e econômica crucial entre os dois países, foi uma concessão que abalou a soberania israelense “Senhor primeiro-ministro:o senhor disse que um primeiro-ministro forte diz ao presidente dos EUA — ‘sim’ quando possível, e ‘não’ — quando necessário.É hora de dizer ao nosso amigo, o presidente Trump — ‘não’”, escreveu, na rede social X, Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional do Gabinete de Netanyahu. Israel amplia ataque ao sul do Líbano e ocupa fortaleza medieval Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, disse, em publicações no X, que “não houve primeiro-ministro em Israel que tenha aceitado com tal submissão uma exigência que é manifestamente irracional”, afirmando que seu governo causa “danos aos interesses nacionais do Estado de Israel por fraqueza”. Avigdor Lieberman, um dos pesos pesados da política israelense e que pode ser decisivo na formação de um novo governo após as eleições previstas para esse ano — ainda sem data marcada —, classificou a suspensão dos ataques a Dahiyeh de “inaceitável”. “Não somos uma república de bananas. Devemos arrasar a Dahiyeh agora e não parar até que aquele prédio caia”, acrescentou. Em editorial, o jornal Jerusalem Post, alinhado à direita israelense, afirmou que aceitar a proposta de cessar-fogo no Líbano é uma “traição aos cidadãos israelenses”, e que o país agora se vê “na humilhante posição de ter que buscar a aprovação dos Estados Unidos para defender seus próprios cidadãos no norte”. Combater o Hezbollah no sul do Líbano é considerada uma missão estratégica e, para alguns, existencial para Israel. No atual conflito que tem o Irã como palco principal, a frente libanesa foi aberta em março, e o establishment político e militar israelense viu uma oportunidade única para um ataque decisivo contra um rival de décadas, e para o estabelecimento de uma zona tampão no território libanês — na prática, uma anexação. Um cessar-fogo chegou a ser firmado em abril, em paralelo à trégua acertada por EUA e Irã. Ele jamais foi aplicado na prática, e o governo de Netanyahu não escondeu sua insatisfação com a ordem para pausar os combates, contra o Hezbollah e contra os iranianos. Diante da violência, mais de um milhão de libaneses foram obrigados a deixar o sul do país, cidades e vilas foram arrasadas, e números do Ministério da Saúde apontam que, desde março, 3,5 mil pessoas morreram. Nas últimas 24 horas, foram 48 mortos. “Assim parece um governo desconectado que perdeu qualquer ligação com a realidade e com o público em nome de quem deveria agir. Que perdeu não só o norte, mas também a bússola ética”, escreveu no X o ex-premier Benny Gantz, de oposição a Netanyahu. Outro postulante ao emprego de Netanyahu, o também ex-premier Naftali Bennett, disse que o atual Gabinete é “um governo que perdeu o controle sobre a soberania israelense”, onde há “caos em cada canto”. Yair Lapid, centrista e líder da oposição, foi mais sucinto. “Um protetorado completo”, escreveu no X. Destruição causada por bombardeio israelense em Tiro, no sul do Líbano — Foto: AFP Segundo pesquisa publicada em abril pelo Instituto da Democracia de Israel, 80% dos judeus israelenses afirmam que a ofensiva no Líbano deve continuar, mesmo que isso contrarie a Casa Branca. Entre os árabes, 66% são contra. Outra sondagem, do Canal 12, também de abril, mostra que 79% dos entrevistados dizem ser a favor da continuidade da guerra no país árabe. Por fim, uma pesquisa do jornal Maariv, de maio, revelou que 55% dos israelenses querem que Netanyahu se aposente, e não concorra nas próximas eleições, nas quais o risco de derrota é considerável. Nesta quarta-feira, Trump confirmou os palavrões no diálogo com Netanyahu, assim como sua impaciência com os combates no Líbano. Mas sem o mesmo teor agressivo. — Fiquei um pouco perturbado com as constantes lutas dele com o Líbano — disse Trump, em entrevista a um podcast do jornal New York Post. — Trabalhamos muito bem juntos. Gosto muito do Bibi. E trabalho muito bem com ele.
Após decisão de não atacar Beirute, Netanyahu é acusado por aliados e rivais de tornar Israel um 'protetorado' dos EUA
Sequência da ofensiva no Líbano é um dos poucos consensos hoje na cena política israelense, mas pressão vinda de Washington parece ter sido decisiva, por enquanto















