PUBLICIDADE Mudança de tom foi destinada apenas à capital libanesa; horas após declaração, novos ataques contra o sul do país deixaram pelo menos oito mortos Um homem escala escombros após um ataque aéreo israelense derrubar um prédio no centro de Beirute, Líbano, em 18 de março de 2026 — Foto: David Guttenfelder / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 08:55 Israel recua de ataque a Beirute após pressão de Trump, mas mantém ofensiva no sul do Líbano Após pressão de Donald Trump, Israel recuou da ameaça de atacar o Hezbollah em Beirute, mas manteve ofensiva no sul do Líbano. Novos ataques deixaram oito mortos. Trump anunciou acordo de cessar-fogo com o Hezbollah, mas Israel continua operações. Netanyahu declarou que só atacaria Beirute se o Hezbollah não cessar hostilidades. Confrontos persistem enquanto negociações entre Israel e Líbano seguem em Washington. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recuou da ameaça de atacar o Hezbollah em Beirute poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionar por uma redução da escalada militar no Líbano na segunda-feira. A mudança de tom, no entanto, foi destinada apenas à capital libanesa, com Israel mantendo suas operações militares no sul do país, onde ataques aéreos e de drones deixaram pelo menos oito mortos nesta terça. Israel havia advertido que poderia atacar os subúrbios do sul de Beirute, principal reduto do Hezbollah, levando milhares de moradores a buscar áreas consideradas mais seguras. O anúncio ocorreu em meio à mais profunda incursão terrestre israelense em território libanês em 26 anos, embora Beirute tenha sido amplamente poupada das ofensivas das últimas seis semanas, com exceção de dois ataques direcionados realizados em maio. Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, diplomatas defenderam que Israel retirasse suas forças do Líbano e evitasse ampliar os ataques. Poucas horas depois, Trump afirmou nas redes sociais que Israel e Hezbollah haviam concordado em interromper os ataques mútuos. Segundo o presidente americano, o entendimento foi resultado de conversas com Netanyahu e de contatos realizados por mediadores com o grupo libanês. “O Hezbollah concordou em parar de atirar contra Israel e seus soldados. Da mesma forma, Israel concordou em parar de atirar contra eles. Vamos ver quanto tempo isso dura; espero que seja pela ETERNIDADE!”, escreveu o americano, ressaltando que entendimento foi resultado de uma conversa telefônica “muito produtiva” com Netanyahu. Segundo o veículo americano Axios, no entanto, o presidente teria classificado o líder israelense como “completamente louco” e o acusado, durante a conversa, de colocar em risco as negociações com o Irã. Mais tarde, Netanyahu divulgou uma declaração em que se afastou da ameaça de atacar Beirute, embora tenha ressaltado que as operações militares no sul do Líbano continuariam. O líder israelense afirmou ter informado Trump de que Israel atacaria “alvos terroristas em Beirute” caso o Hezbollah não interrompesse os ataques contra cidades e civis israelenses, acrescentando que essa posição permanecia inalterada. O governo libanês — que não inclui nem controla o Hezbollah —, por sua vez, informou ter recebido a confirmação de que o grupo concordou com uma proposta americana para uma cessação mútua dos ataques. O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o grupo e Washington, afirmou que o Hezbollah estava disposto a aceitar um cessar-fogo. Não houve manifestação imediata do grupo sobre as declarações de Netanyahu. Combates continuam Apesar dos sinais de distensão, os combates continuaram no sul do Líbano. Ataques de drones israelenses atingiram diversas localidades da região nesta terça-feira. Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), um ataque contra um veículo na estrada entre Marjayoun e Nabatiyeh matou o dentista James Karam e seus dois filhos. O Exército libanês informou que dois soldados ficaram levemente feridos em outro ataque de drone. Outros bombardeios atingiram as localidades de Jibchit, Toul e Harouf. Em Jibchit, dois trabalhadores sírios morreram após um ataque a um viveiro de plantas. Em Toul, duas pessoas foram mortas. Em Harouf, um ataque contra um carro deixou um morto. A NNA também informou que um bombardeio israelense realizado na segunda-feira matou seis pessoas em Marwaniyeh. A Defesa Civil libanesa relatou ainda três feridos no ataque. O Hezbollah afirmou que seus combatentes dispararam mísseis antitanque contra tropas israelenses que avançavam sobre a vila de Hadatha, a cerca de sete quilômetros da fronteira. O grupo declarou que combate o avanço das forças israelenses no sul do país. O Exército israelense informou ter interceptado dois projéteis e disse que um “alvo aéreo suspeito” foi identificado na área onde suas tropas operam, sem registro de feridos. Os confrontos mais recentes ocorreram enquanto uma segunda rodada de negociações entre Israel e o Líbano está prevista para terça e quarta-feira em Washington. Os negociadores libaneses devem buscar um cessar-fogo completo que impeça novos ataques. As conversas entre Israel e Líbano iniciadas em abril na capital americana foram as primeiras entre os dois países em mais de três décadas. Os países não mantêm relações diplomáticas formais. Teerã tem defendido que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região inclua um cessar-fogo efetivo no Líbano. Segundo duas autoridades iranianas ouvidas sob condição de anonimato, o governo iraniano alertou os EUA, por meio de intermediários, que suspenderia as negociações para encerrar a guerra caso Israel atacasse os subúrbios ao sul de Beirute. Uma autoridade militar iraniana afirmou nesta terça-feira que uma retomada da guerra contra os Estados Unidos seria “inevitável” caso Washington continue exigindo a “capitulação” do Irã. Já a Guarda Revolucionária iraniana advertiu que ultrapassar as “linhas vermelhas” no Líbano equivaleria a uma guerra direta. Segundo autoridades libanesas, mais de 3,4 mil pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas desde que o país foi arrastado para o conflito regional em 2 de março. Do lado israelense, o gabinete de Netanyahu diz que 27 pessoas foram mortas, entre elas 26 soldados e um civil. O Exército israelense anunciou que um soldado foi morto na segunda-feira no sul do Líbano e que outros sete ficaram feridos, três deles em estado grave. (Com AFP e New York Times)
Após pressão de Trump, Israel recua de ameaça a Beirute, mas mantém ofensiva no sul do Líbano
Mudança de tom foi destinada apenas à capital libanesa; horas após declaração, novos ataques contra o sul do país deixaram pelo menos oito mortos
















