O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está sendo alvo de críticas tanto de aliados quanto de adversários por não ter cumprido as ameaças de bombardear alvos do Hezbollah em Beirute, capital do Líbano, em consequência da pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após uma conversa por telefone com Netanyahu, Trump afirmou que Israel e Hezbollah concordaram em interromper os ataques mútuos, anúncio feito horas depois de o governo israelense ordenar novos bombardeios contra os subúrbios do sul de Beirute, o que levou o Irã a ameaçar suspender as negociações com os EUA. "O Hezbollah concordou em parar de atirar contra Israel e seus soldados. Da mesma forma, Israel concordou em parar de atirar contra eles", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "Vamos ver quanto tempo isso dura - espero que seja para sempre!" Posteriormente, o governo libanês anunciou um cessar-fogo parcial entre Israel e Hezbollah, pelo qual o governo Netanyahu interromperia os ataques ao sul de Beirute, e o grupo xiita libanês cessaria as ações contra o território israelense. Os dois lados voltaram a trocar ataques hoje no sul do Líbano, mas não houve ataques à capital. Segundo uma agência estatal libanesa, ao menos oito pessoas morreram após uma ofensiva com drones israelenses. O Hezbollah respondeu lançando mísseis antitanque contra tropas de Israel que avançavam pela região. Os adversários de Netanyahu nas eleições antecipadas previstas para outubro o acusaram de ter cedido às pressões de Trump em questões de segurança nacional. Pesquisas apontam que a maioria da população é favorável a ações mais agressivas em relação ao Hezbollah. "O local é diferente, mas a história é a mesma", disse Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro e político de direita de perfil linha-dura na área de segurança, que também critica Netanyahu pela recuperação do Hamas em Gaza. "É um governo que perdeu o controle da soberania israelense." Bennett e seu parceiro de coalizão para a próxima eleição, o centrista Yair Lapid, defendem ataques contra o Hezbollah. "Um protetorado completo", escreveu Lapid no X, acusando Netanyahu de permitir que os EUA ditem a política militar israelense, como se o governo de Israel fosse subordinado a Washington. Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses e também candidato ao cargo de primeiro-ministro, afirmou na segunda-feira que a pressão de Trump para que Israel suspendesse os ataques era inaceitável. "Nunca houve um primeiro-ministro israelense que aceitasse uma exigência tão humilhante", escreveu Eisenkot no X. As críticas refletem o aumento das tensões dentro do sistema político israelense sobre até que ponto as decisões militares do país devem ser coordenadas com seu principal aliado, os Estados Unidos. O parceiro de coalizão de Netanyahu, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que Israel deveria dizer "não" a Trump. O jornal israelense The Jerusalem Post escreveu que Israel havia "se encontrado na posição humilhante de precisar buscar aprovação americana para defender seus próprios cidadãos". "Os Estados Unidos agora estão restringindo ativamente Israel de tomar ações militares decisivas", afirmou o jornal em editorial. Nesta terça-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país se absteve de atacar Beirute a pedido dos Estados Unidos. No entanto, advertiu que qualquer novo ataque do Hezbollah contra o norte de Israel desencadeará bombardeios contra os subúrbios do sul de Beirute, considerados um reduto do grupo militante. Netanyahu rejeita as críticas às operações militares israelenses no Líbano, argumentando que os ataques aéreos conduzidos sob seu governo causaram danos significativos ao Hezbollah. Após o anúncio de Trump na segunda-feira sobre um novo entendimento entre Israel e Hezbollah, Netanyahu afirmou que a posição israelense no conflito "permanece inalterada". "Se o Hezbollah não parar de atacar nossas cidades e cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute", afirmou Netanyahu em comunicado divulgado após o anúncio de Trump. Netanyahu cumprimenta Trump em visita aos EUA em dezembro de 2025 — Foto: Jonathan Ernst/Reuters/
Netanyahu é alvo de críticas após pressão de Trump para suspender ataques a Beirute
Presidente americano disse Israel e Hezbollah concordaram em "cessar os disparos"














