Presidente teria elevado o tom em telefonemas com o premier sobre escalada dos combates no Líbano; Gabinete israelense admite conversa tensa, mas nega ataques pessoais Presidentes dos EUA, Donald Trump (D), aperta a mão do premier de Israel, Benjamin Netanyahu — Foto: Jim WATSON / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 12:02 Trump Pressiona Netanyahu por Cessar-Fogo com Hezbollah no Líbano Em uma série de telefonemas tensos, o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a aceitar um cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano. Trump teria criticado Netanyahu, chamando-o de "louco" e acusando-o de comprometer negociações diplomáticas dos EUA. Apesar das tensões, Trump afirmou ter tido uma conversa produtiva, mas o conflito continua com ataques entre Israel e Hezbollah. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria feito duras cobranças ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante telefonemas na noite de segunda-feira sobre a escalada dos confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Segundo reportagem do Axios, baseada em relatos de autoridades americanas, Trump teria chamado o premier israelense de “louco” e o acusado de colocar em risco os esforços diplomáticos de Washington para manter uma trégua regional. Um assessor de Netanyahu reconheceu que houve uma conversa “tensa”, mas contestou os relatos de ataques pessoais e xingamentos. De acordo com o Axios, Trump afirmou a Netanyahu que Israel estava reagindo de forma desproporcional aos ataques do Hezbollah e advertiu que a ofensiva israelense poderia comprometer as negociações dos EUA com o Irã. Autoridades americanas disseram ao site que o presidente reconhece o direito de Israel de responder aos disparos do grupo xiita, mas considera que a ampliação das operações militares nos últimos dias ameaça iniciativas diplomáticas conduzidas pela Casa Branca. Uma das fontes ouvidas pelo veículo afirmou que Trump “passou por cima” de Netanyahu durante a conversa. Segundo a reportagem, o presidente americano acusou o primeiro-ministro de ingratidão e declarou que o havia protegido de consequências políticas e judiciais. As mesmas fontes relataram que Trump afirmou que a condução da guerra tem ampliado a rejeição internacional a Israel e ao próprio Netanyahu. — Você é louco pra c***. Estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando sua pele. Todo mundo odeia você agora. Todo mundo odeia Israel por causa disso — disse Trump, que, em dado momento, teria gritado com Netanyahu: — Que p*** você está fazendo? A reportagem relata ainda que o presidente americano teria elevado o tom ao discutir os planos israelenses para atingir alvos do Hezbollah em Beirute. Segundo uma das fontes, Trump entrou na conversa convencido de que Netanyahu estava prestes a autorizar uma operação que resultaria na morte de um grande número de civis. O telefonema teria se tornado progressivamente mais acalorado à medida que os dois líderes discutiam os próximos passos da campanha militar no Líbano. Conversas ‘produtivas’ Horas depois do telefonema, Trump publicou mensagens na rede Truth Social afirmando ter mantido uma conversa “muito produtiva” com Netanyahu e declarou que não haveria tropas israelenses se deslocando para Beirute. O presidente também afirmou que havia obtido garantias de que o Hezbollah interromperia os disparos contra Israel. Fontes militares israelenses, porém, disseram que não existiam tropas a caminho da capital libanesa, contrariando a descrição feita por Trump. O Canal 12 informou que houve dois telefonemas entre os líderes na segunda-feira, um no início da noite e outro próximo da meia-noite. Segundo a emissora, foi a segunda conversa que apresentou o tom mais tenso. A reportagem afirma que o diálogo posterior se concentrou em divergências sobre a forma como cada lado apresentou publicamente os resultados da primeira ligação. Segundo o veículo, Trump teria ficado irritado com declarações de Netanyahu que indicavam que a guerra continuaria em plena intensidade, apesar do adiamento de ataques a Beirute. O israelense, por sua vez, teria se incomodado com a mensagem publicada por Trump, que dava a entender que Israel havia suspendido as operações militares em todas as frentes. Um integrante da equipe de Netanyahu afirmou à emissora que o presidente americano não atacou pessoalmente o premier nem alegou estar impedindo que ele fosse preso. Segundo essa versão, Trump limitou-se a observar que estava se tornando cada vez mais difícil defender a posição israelense diante da comunidade internacional e que isso alimentava a hostilidade contra o país. A mesma fonte afirmou que a conversa terminou com um entendimento segundo o qual Israel deixaria de realizar o ataque planejado contra Beirute, desde que não fosse alvo de novos ataques em seu território. O Gabinete de Netanyahu não respondeu oficialmente à reportagem do Axios, mas rejeitou informalmente elementos centrais da versão apresentada por autoridades americanas. Nova trégua As informações sobre os telefonemas surgiram enquanto Washington tentava consolidar uma nova trégua entre Israel e Hezbollah. Apesar das declarações de Trump, o grupo apoiado pelo Irã continuou lançando foguetes e drones contra o norte de Israel durante a madrugada desta terça-feira. A imprensa libanesa também relatou novos ataques israelenses no sul do Líbano após o anúncio do presidente americano. Pelo menos oito pessoas morreram no país desde então. Pouco depois das declarações de Trump, uma fonte israelense afirmou que Israel concordou em adiar ataques planejados contra a capital libanesa. Mais tarde, porém, Netanyahu declarou que o Estado judeu voltaria a considerar uma ofensiva contra Beirute caso o Hezbollah mantivesse os disparos contra regiões israelenses. A tensão também provocou reações no cenário político israelense. O líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, acusou Netanyahu de ceder à pressão americana e afirmou que nenhum primeiro-ministro israelense havia aceitado anteriormente uma exigência semelhante. Segundo ele, a decisão prejudica os interesses nacionais de Israel em um momento em que cidades do norte continuam sob ameaça. “Nunca houve um primeiro-ministro em Israel que capitulasse diante de uma exigência dessas, claramente irrazoável!”, escreveu o ex-ministro e ex-chefe das IDF no X, referindo-se aos ataques do Hezbollah contra o norte de Israel, acrescentando: “O que Netanyahu, o governo e o Gabinete estão fazendo hoje prejudica os interesses nacionais do Estado de Israel a partir de uma posição de fraqueza”. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, também criticou a postura do governo e pediu que Netanyahu rejeitasse as pressões da Casa Branca. Em publicação, o ministro afirmou que chegou o momento de dizer “não” a Trump e defendeu a ampliação das operações contra o Hezbollah para restaurar a segurança no norte de Israel. Os confrontos entre Israel e Hezbollah foram retomados em março, após o grupo atacar o norte de Israel em solidariedade ao Irã — a ofensiva foi feita dois dias depois de ataques americanos e israelenses contra a República Islâmica. Desde então, segundo autoridades libanesas, mais de 3,4 mil pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas. Do lado israelense, 27 pessoas foram mortas, entre elas 26 soldados e um civil. (Com AFP e New York Times)