Presidente norte-americano parece desesperado por uma resolução do conflito às vésperas da Copa e de celebrações nos EUA, afirma Guga Chacra em newsletter especial Homens tiram foto ao lado de foguete caído nos arredores de Jericó, após troca de ataques entre Israel e Irã — Foto: Ahmad Gharabli/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 06:55 Trump Tenta Conter Conflito Israel-Irã em Meio a Pressões Internas Trump, às vésperas de eventos importantes, busca desesperadamente conter a escalada do conflito entre Israel e Irã, segundo Guga Chacra. Netanyahu, pressionado internamente, adota retaliações calibradas, mas se vê limitado pelas ordens de Trump para evitar uma guerra maior. O Irã percebe a fragilidade de Trump, que enfrenta a possibilidade de sair humilhado se os conflitos aumentarem, enquanto busca um acordo para controlar o enriquecimento de urânio iraniano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Benjamin Netanyahu até ordenou uma retaliação de forma calibrada aos ataques iranianos a Israel. Dentro de seu dilema, que escrevi ontem, entre responder, como demandavam seus aliados e opositores, ou não revidar, como ordenava Donald Trump, optou por um meio-termo, com bombardeios pontuais contra o Irã. Mas, na prática, acabou se curvando a Trump e aceitou evitar uma escalada maior. Não sabemos até quando. O risco de confrontos militares entre israelenses e o regime de Teerã, levando ao colapso o frágil cessar-fogo, ainda é enorme e apenas não ocorre por intervenção do presidente norte-americano. Desespero – Nesta segunda-feira, Trump voltou a “ordenar” a Israel e ao Irã que não escalem os confrontos. O presidente parece desesperado por uma resolução do conflito, não apenas para conter os efeitos econômicos, como também para evitar impactos negativos na Copa do Mundo, em seu aniversário e nas celebrações da independência dos Estados Unidos. Naturalmente, o regime iraniano percebeu esse desespero e aumentou a pressão sobre o líder norte-americano. Ao contrário do que diz o republicano, quem tem dado as cartas é o Irã, não os EUA. Outras prioridades – Para Netanyahu, o atual cenário é praticamente insustentável. O líder israelense sabe que, de uma certa forma, Trump passou a aceitar um Irã empoderado geopoliticamente e talvez até chegue a um acordo com termos inaceitáveis para Israel. A Copa do Mundo, o aniversário de Trump e a independência dos EUA não são prioridades para o premier, que está mais preocupado com a segurança israelense. Ainda mais importante para ele é a pressão interna em Israel. Humilhação – Se Israel reagir nas próximas semanas, com o Irã também escalando, o presidente norte-americano sairá humilhado. Afinal, colocou todas as suas cartas na mesa demandando o fim dos combates. Terá sido desrespeitado tanto por seu maior aliado quanto pelo maior adversário. Um golpe que torna difícil para Trump criar uma narrativa vitoriosa. Pode até ser que culpe Netanyahu ou o regime iraniano. Mas o fato é que sua força para dominar as peças no tabuleiro do conflito será questionada. Na verdade, Trump passará a ser visto como enfraquecido. Mais guerra – É difícil vislumbrar um cenário no qual tanto Trump quanto Netanyahu possam sair como vitoriosos. A diferença é simples: o presidente dos EUA até pode firmar um acordo restringindo, parcial e temporariamente, o enriquecimento de urânio iraniano e sair como vencedor. O regime de Teerã não é uma ameaça a Washington. Já Israel seguirá ameaçado por um Irã ainda mais poderoso, especialmente no longo prazo, quando o país começar a receber recursos após a retirada das sanções. Para Netanyahu, é importante a manutenção do estado bélico tanto contra o Irã quanto contra Hezbollah no Líbano, ao menos neste momento. Realista – Trump e Netanyahu concordaram sobre a forma de começar a guerra. Essa foi a parte fácil. Os dois, no entanto, discordam sobre a forma como pretendem encerrar o conflito. O presidente norte-americano quer um acordo. O líder israelense ainda mantém planos de enfraquecer o regime iraniano com o objetivo de levar à capitulação. A estratégia de Trump parece mais realista neste momento. Teerã não capitulou e não irá capitular. A melhor alternativa parece ser mesmo um acordo possível.