Trump parece disposto a aceitar acordo que não leva em consideração muitas das demandas de Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — Foto: Ohad Zwigenberg/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 05:06 Netanyahu perde influência sobre Trump em negociações com Irã, diz Guga Chacra Benjamin Netanyahu perdeu influência sobre Donald Trump nas negociações com o Irã, afirma Guga Chacra. Trump parece inclinado a aceitar um acordo que não atende às principais demandas de Israel, focando na reabertura do Estreito de Ormuz e talvez uma moratória de enriquecimento de urânio. A influência de Netanyahu tem sido mínima, e ele pode tentar sabotar o acordo, especialmente em relação ao Hezbollah no sul do Líbano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Benjamin Netanyahu exerceu toda a sua influência para convencer Donald Trump a iniciar a guerra contra o Irã junto com Israel. Ninguém influenciou mais o presidente norte-americano do que o premier israelense. Mas, nas atuais negociações dos EUA com o regime iraniano para encerrar o conflito, sua influência é quase nula. Erro na previsão – Não sabemos ainda se haverá mesmo um acordo, apesar do otimismo dos últimos dias. Os EUA, inclusive, lançaram um ataque pontual contra alvos no Irã ontem, o que seria uma “autodefesa”, segundo os militares norte-americanos. Apesar de improvável, não podemos descartar uma escalada. Mas voltemos a Netanyahu. O líder israelense argumentava que seria simples derrubar o regime ou ao menos forçar uma capitulação nos moldes da Venezuela. Trump, empoderado pelo que via como sucesso na remoção de Nicolás Maduro, acabou ignorando o posicionamento mais cauteloso dos serviços de inteligência e decidiu iniciar a guerra. Ambição limitada – Três meses depois, diante do fracasso da ação, Trump tenta uma correção e parece disposto a aceitar um acordo com o regime iraniano que não leva em consideração muitos dos pontos demandados por Netanyahu. O foco inicial será apenas na reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, que só foi bloqueado por Teerã após os ataques dos EUA e de Israel, em troca do fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Mudança – A questão nuclear será negociada em um segundo momento, mas com o poder de barganha do Irã muito maior do que o período anterior à guerra. Afinal, a grande arma dos EUA antes da guerra era a ameaça de realizar justamente um ataque militar se o Irã não cooperasse. Mas o ataque ocorreu e o regime sobreviveu. Já os iranianos mantêm a capacidade de ameaçar fechar o Estreito de Ormuz quando quiserem. Guga Chacra: EUA e Israel queriam o radical Ahmadinejad no poder no Irã? Plano – Trump aparentemente conseguirá um acordo no qual o Irã aceitará uma moratória no enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções. Pode, inclusive, ser flexível com o destino dos 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, um patamar próximo aos 90% necessários para a fabricação de uma bomba. Dificilmente o Irã aceitará restrições ao seu programa de mísseis balísticos. Pesadelo – Esse acordo fica bem aquém do desejado por Netanyahu ao longo de décadas. O regime iraniano manterá e ampliará seu programa de mísseis balísticos, enriquecerá com o fim das sanções e talvez mantenha um programa clandestino para desenvolver uma arma atômica. Basicamente, um pesadelo para o premier israelense que talvez imaginasse um novo regime no Irã aliado de Israel. Hezbollah – Há ainda a questão do apoio ao Hezbollah. O regime do Irã não deve aceitar concessões. Trump talvez simplesmente siga com o teatro do cessar-fogo inexistente negociado entre os governos do Líbano e de Israel. Mas, na prática, o grupo tende a seguir armado e empoderado pelo Irã na fronteira com o território israelense — ou na área ocupada por Israel no sul do Líbano. Pode não ser um problema para Trump, mas certamente é para Netanyahu. Sabotagem – Nunca deem Netanyahu como vencido. O primeiro-ministro israelense fará de tudo para sabotar o acordo. Dificilmente baterá de frente com Trump, especialmente no caso do Irã. Mas certamente dará um jeito de continuar sua guerra contra o Hezbollah no sul do Líbano, fingindo haver um cessar-fogo como tem feito até agora. Tanto Israel quanto o grupo aliado ao Irã têm desrespeitado a trégua.
Netanyahu perdeu influência sobre Trump no Irã?
Trump parece disposto a aceitar acordo que não leva em consideração muitas das demandas de Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial














